
Centremo-nos, para já, nos Darkside of Innocence pois, além de terem uma vocalista, foram a primeira banda a subir ao palco nesta noite de sexta-feira à beira-rio.
Os Darkside of Innocence são uma banda de black/death metal sinfónico que a pouco e pouco se tem vindo a afirmar como uma das grandes bandas dentro do panorama underground português, mesmo apesar da tenra idade dos seus membros.
Ao fim de algum tempo de atraso, os Darkside of Innocence entraram em palco e logo agarraram o pequeno e animado público com a poderosa Angel of Sin. Cedo se percebeu que este seria um grande concerto, devido à excelente qualidade do som e ao facto de podermos ter todos os elementos (incluindo o teclista e, ainda, a vocalista feminina) em palco. O desfile de músicas continuou sempre com uma bela adesão da parte do público amistoso, que não se poupou a comentários brincalhões respondidos à letra pelo vocalista principal Pedro Bruno, com a boa disposição que caracteriza qualquer um dos elementos do colectivo.

Foi uma actuação fabulosa por parte do hepteto português, em que todos os elementos mostraram grandes qualidades no desempenho da sua função. André Reis e Paulo Roque imparáveis nas guitarras (o último chegou mesmo a tocar um solo de improviso a pedido do público); João Arcanjo provou (mais uma vez) ser um baixista irrepreensível; o baterista Pedro Bandeira mostrou que, no que toca a técnica, a idade não conta; o vocalista Pedro Bruno, mais uma vez, rebentou os tímpanos a quem se encontrava próximo das colunas; o teclista Pedro Antunes é um grande músico e fez questão de o mostrar (ele e o técnico de som, pois o timbre do teclado e dos restantes instrumentos chegou aos ouvidos do público nas proporções correctas) e, por fim, a Senhora do Metal Cátia Marques, provou ter muitas qualidades como vocalista, quer em registo melódico, quer em registo gutural.
Aos Darkside of Innocence seguiram-se os Insaniae. Esta banda é seguramente capaz de dar um concerto melhor do que aquele a que assistimos... Não que a culpa seja da Senhora do Metal Isabel Cristina ou de qualquer um dos outros elementos da banda. Simplesmente, na minha opinião, creio que colocar uma banda de doom metal no meio de tantas bandas muito mais agressivas não é propriamente bom para o espectáculo. O doom tem uma sonoridade mais lenta e arrastada e, como tal, deve ser ouvido e apreciado em separado. O que aconteceu foi que houve uma grande quebra de intensidade na passagem de uma banda para a outra, o que fez com que muito do público desligasse completamente do que estava a ver e, inclusivamente, viesse até cá fora... Ficamos portanto à espera de um concerto melhor dos Insaniae, que de certeza são capazes de oferecer uma experiência interessante, desde que seja entre as bandas certas e os apreciadores do género.
Myspace Darkside of Innocence
Texto - Sérgio Almeida (Cronos)
Fotografia - Inês Martins (Lua Minguante)

