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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Cinemuerte Showcase acústico na Fnac Colombo - 23 Janeiro


Em tour com uma série de showcases acústicos, os CineMuerte, que têm no seu coração os talentos de Sophia Vieira e João Vaz, apresentam o mais recente trabalho, Aurora Core (RagingPlanet Records), sucessor de Born from Ashes, de 2006. Com mistura e masterização a cargo do lendário produtor Waldemar Sorychta (que tem no currículo nomes como Lacuna Coil, The Gathering, Moonspell, Tiamat e Samael), com as faixas gravadas por Pedro Cardoso (F.E.V.E.R.) na bateria e Ricardo Amorim (Moonspell) na guitarra, "Aurora Core nasce de uma forte paixão", segundo as palavras da vocalista Sophia Vieira durante apresentação do registo na Fnac do Colombo, no passado dia 23 de Janeiro.

O duo traz-nos uma proposta coerente e vibrante, repleta de temas emocionais. Com a simplicidade e as condições que um showcase na Fnac permite, apresentaram a uma audiência variada sete novas faixas, entre os quais se contaram I’m a fool but I love you, um tema que destila sensualidade, a mais melancólica House of The Past ou a mais progressiva Air, avançada já como primeiro single retirado desta proposta. Sophia Vieira traz sensualidade em cada movimento, em cada palavra. Vai do sussurro à tonalidade quente e crepitante, vibrante de intensidade, vivendo a paixão das melodias que os músicos vão destilando das guitarras e da fúria da bateria.

Duo formado em 2002, os CineMuerte são, como Sophia faz questão de dizer, “aquela banda que canta em inglês, tem nome espanhol, mas é bem portuguesa”. Começaram por lançar dois tributos - The Cure (Our Voices/Equinoxe Records) e The Misfits (Portuguese Nightmare/Raging Planet Records). Contribuíram em 2007 para o tributo nacional aos Mão Morta E se depois, com o tema Chabala. Com Born from Ashes pisam os palcos do Coliseu (abrindo para os HIM e My Chemical Romance) e tocaram em diversos festivais de verão.

Sophia Vieira integra actualmente o coro feminino, Crystal Mountain Singers, tendo gravado vozes para o mais recente álbum dos Moonspell, Night Eternal. Como convidada da banda, acompanha a mesma em actuações ao vivo.


Inês Rôlo Martins (Lua Miguante)



Fotografia: Inês Rôlo Martins aka A Cor do Ar copyright 2009

Site Oficial
Myspace

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

REVIEW - Darkside of Innocence + Insaniae - 26.09.08 - Man's Ruin, Cacilhas





Finais de Setembro, três elementos da nossa equipa deslocaram-se até ao Man's Ruin (ex Culto Bar), em Cacilhas, para ver ao vivo três bandas do panorama underground nacional, Darkside of Innocence, Insaniae e Gwydyon, e um colectivo britânico, de seu nome Ravenage.

Centremo-nos, para já, nos Darkside of Innocence pois, além de terem uma vocalista, foram a primeira banda a subir ao palco nesta noite de sexta-feira à beira-rio.
Os Darkside of Innocence são uma banda de black/death metal sinfónico que a pouco e pouco se tem vindo a afirmar como uma das grandes bandas dentro do panorama underground português, mesmo apesar da tenra idade dos seus membros.

Ao fim de algum tempo de atraso, os Darkside of Innocence entraram em palco e logo agarraram o pequeno e animado público com a poderosa Angel of Sin. Cedo se percebeu que este seria um grande concerto, devido à excelente qualidade do som e ao facto de podermos ter todos os elementos (incluindo o teclista e, ainda, a vocalista feminina) em palco. O desfile de músicas continuou sempre com uma bela adesão da parte do público amistoso, que não se poupou a comentários brincalhões respondidos à letra pelo vocalista principal Pedro Bruno, com a boa disposição que caracteriza qualquer um dos elementos do colectivo.



A Angel of Sin seguiu-se An impending commence for decay e, posteriormente, To her Spawn in full submission na qual a vocalista Cátia Marques brindou o público com um registo gutural digno de nota, embora a mesma afirme que não é a sua especialidade. Seguiu-se The eve to a colder epoch e Of a cursed dawn eclipsed. Por fim, para grande êxtase de muitos e um sabor amargo para alguns, foram tocados os primeiros acordes da música final, o “hino” dos Darkside of Innocence, Bloody Mistress que, provocou, como já era de esperar, muito headbanging, um moshpit e muitos, muitos sorrisos na cara dos presentes que, inclusivamente, a cantaram em coro.

Foi uma actuação fabulosa por parte do hepteto português, em que todos os elementos mostraram grandes qualidades no desempenho da sua função. André Reis e Paulo Roque imparáveis nas guitarras (o último chegou mesmo a tocar um solo de improviso a pedido do público); João Arcanjo provou (mais uma vez) ser um baixista irrepreensível; o baterista Pedro Bandeira mostrou que, no que toca a técnica, a idade não conta; o vocalista Pedro Bruno, mais uma vez, rebentou os tímpanos a quem se encontrava próximo das colunas; o teclista Pedro Antunes é um grande músico e fez questão de o mostrar (ele e o técnico de som, pois o timbre do teclado e dos restantes instrumentos chegou aos ouvidos do público nas proporções correctas) e, por fim, a Senhora do Metal Cátia Marques, provou ter muitas qualidades como vocalista, quer em registo melódico, quer em registo gutural.



Aos Darkside of Innocence seguiram-se os Insaniae. Esta banda é seguramente capaz de dar um concerto melhor do que aquele a que assistimos... Não que a culpa seja da Senhora do Metal Isabel Cristina ou de qualquer um dos outros elementos da banda. Simplesmente, na minha opinião, creio que colocar uma banda de doom metal no meio de tantas bandas muito mais agressivas não é propriamente bom para o espectáculo. O doom tem uma sonoridade mais lenta e arrastada e, como tal, deve ser ouvido e apreciado em separado. O que aconteceu foi que houve uma grande quebra de intensidade na passagem de uma banda para a outra, o que fez com que muito do público desligasse completamente do que estava a ver e, inclusivamente, viesse até cá fora... Ficamos portanto à espera de um concerto melhor dos Insaniae, que de certeza são capazes de oferecer uma experiência interessante, desde que seja entre as bandas certas e os apreciadores do género.


Myspace Darkside of Innocence

Myspace Insaniae

Texto - Sérgio Almeida (Cronos)

Fotografia - Inês Martins (Lua Minguante)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Review Hiffen - Festa do Avante '08


Festa do Avante, 6 de Setembro de 2008


E assim se passou mais uma edição da Festa do Avante, que, à semelhança do que se passou em 2002, ficou marcada por um dia debaixo de chuva, o que impossibilitou as actuações nos Palcos 25 de Abril e Novos Valores. Vá lá, no segundo dia o céu abriu e aí a Festa revelou todo o seu esplendor de outros anos.

Centremo-nos no Palco Novos Valores, visto ter sido neste que o Metal no feminino marcou presença através dos Hiffen, no segundo dia da Festa do Avante.

O Palco Novos Valores situa-se na Cidade da Juventude e o cartaz é composto por bandas apuradas em concursos organizados pela JCP em todo o país e mais duas bandas convidadas.

Os Hiffen são uma banda oriunda de Ponta Delgada com uma sonoridade algures entre o metal/rock progressivo e o metal gótico sinfónico. Perdoem-me os elementos da banda se por acaso não concordarem com a minha classificação, mas foi ao que me soou; afinal de contas o que as classificações têm mais é subjectividade... Adiante, estávamos perante uma banda de metal com voz feminina, daí terem direito a uma review de um concerto neste blog.

Relativamente ao concerto em si, este foi marcado por alguma falta de organização, visto que, supostamente os Hiffen só entrariam em palco por volta da meia noite, a seguir aos Switchtense e, o que se passou, foi que tocaram antes do colectivo da Moita.

Antes da actuação dos Hiffen, o público foi brindado com o punk/rock/ska de intervenção dos R12 (ou punk agricultor como os próprios se classificam devido ao facto de serem do Ribatejo e, segundo os próprios, devido ao facto de de vez em quando terem de se levantar ao sábado de manhã para ir apanhar batatas). A banda ribatejana até conseguiu uma adesão boa por parte do público, em parte devido ao vocalista, que tinha uma presença em palco muito boa.

Feita esta pequena introdução, passaremos então à banda que me levou a escrever esta review. Os Hiffen têm uma sonoridade que, como eu já referi, soa a qualquer coisa entre o metal progressivo e o metal gótico sinfónico. Não se pode dizer que tenha sido um concerto com uma grande adesão por parte do público que ali se encontrava, o que até é bastante compreensível, pois segundo o horário, aquela era a hora dos Switchtense, mas ainda assim deu para ver que são uma banda com bastante potencial e com músicos muito bons (vénias ao guitarrista solo Renato Medeiros). Quanto à vocalista Catarina Medeiros, tem um timbre de voz lindissimo mas deu para comprovar, mesmo quem não conhecia, que não estava nos seus melhores dias. Aliás, ela própria referiu que não estava propriamente bem de saúde, o que, além de ter influenciado a sua prestação vocal, também pode explicar o facto de ela, naquele concerto, não ter tido uma presença em palco propriamente boa. Ainda assim a simpatia e a boa disposição, quer da vocalista, quer dos restantes membros da banda, era notória e faz-nos crer que, com uma melhor organização e com um público “do seu estilo” eles teriam sido capazes de dar um concerto fantástico e, quanto a mim, estão de parabéns pelo que, apesar de todos os factores contra, conseguiram fazer.

Depois dos Hiffen, entraram em palco os Switchtense (banda de metal/hardcore da Moita), que brindaram o já ansioso e espectante público com uma actuação do mais bruto e intenso que pode existir, o que provocou, como já se previa, uma grande adesão ao espectáculo. Este foi verdadeiramente o concerto da noite naquele palco... Grande interacção da banda com o público, grande resposta do público através dos tradicionais moshpits, headbangs, punhos no ar e os tão metaleiros “HEY, HEY, HEY” nas partes balanceadas.

Hiffen Myspace: http://www.myspace.com/hiffen

Agradecimentos: Sérgio Almeida, Cronos

sábado, 12 de julho de 2008

REVIEW - Within Temptation - Optimus Oeiras Alive 11.07.08



No dia 11 de Julho, a espera demonstrou ser interminável para os fãs da banda holandesa Within Temptation (WT), naquele que foi o segundo dia do Festival Optimus Oeiras Alive 2008, dia praticamente dominado pelas sonoridades do reggae e por uma miscelânea tão grande de estilos e respectivos públicos e que, pela sua excessiva variedade, carecia claramente da coerência necessária a um bom festival e impedia alguns de fazer render os 45 euros do bilhete. Incoerências da organização à parte, os WT não desiludiram, apesar dos meros 60 minutos que a organização do festival havia reservado para a sua actuação e que originaram uma setlist de 11 temas, curta e composta maioritariamente de singles e temas do último álbum The Heart Of Everything (2007) e do anterior The Silent Force (2004). Apesar da necessária escassez, a banda liderada pelo guitarrista Robert Westerholt e a Senhora do Metal, Sharon den Adel deu um dos melhores concertos da noite em termos cénicos e de interacção com o público, com a energia contagiante que já é imagem de marca da banda. Os fãs foram elemento central para fazer deste um concerto inesquecível (apesar da sua duração mínima), incansáveis na sua espera, alguns desde as 10h da manhã, outros desde a abertura das portas, às 16h. As longas horas foram suportadas na linha da frente, segurando faixas de apoio à banda, até às 23.40h, hora em que o palco começou a ser montado para a actuação. Os WT distinguiram-se de imediato pela produção cénica que levaram ao palco, contrastando fortemente com os palcos despojados dos outros concertos do dia. Uma tela com gárgulas foi colocada ao fundo, quatro tochas ladeavam o palco, assim como dois anjos de negra beleza e dois grifos, um de cada lado. Às 23.55h, a espera terminara finalmente.






Os coros magistrais da Intro do álbum The Silent Force ecoaram na noite e os fãs responderam entusiasticamente. O teclista Martijn Spierenburg ocupava o seu lugar, Stephen van Haestregt sentava-se atrás da bateria, Jeroen van Veen entrava com o seu baixo. Os dois guitarristas Ruud Jolie e Robert Westerholt arrancaram os primeiros acordes de Jillian (I’d Give My Heart). Sharon den Adel entra em palco, sorridente e lindíssima num corpete branco e saia justa comprida e bordada no mesmo tom. É recebida em delírio por um público que canta cada palavra. A voz de Sharon esteve, como habitualmente, irrepreensível, alternando entre o seu tom angelical e os tons mais graves e rockeiros utilizados no álbum The Heart of Everything, sem incorrer em erros de afinação, apesar de se enganar aqui e ali nas letras. Após o segundo tema, a poderosa The Howling, havia uma surpresa para a Senhora do Metal dos WT que faz anos precisamente hoje, dia 12. Já passava da meia-noite e os fãs cantaram os parabéns para uma Sharon maravilhada e surpreendida.


A partir daí, a entrega foi ainda maior. A banda lançou-se no single What Have You Done, com o público a cantar a plenos pulmões as partes de Keith Caputo, que partilha as vocalizações com Sharon neste tema. Seguiu-se outro single, desta vez do álbum The Silent Force, Stand My Ground, com quase todos os membros da banda em forte interacção com o público. Robert demonstra ser infatigável nessa interacção e até o, habitualmente mais quieto, teclista Martijn, largou momentaneamente as teclas para bater palmas com o público. Chega a negra The Heart of Everything, que a vocalista parece sempre dedicar aos seus fãs. A voz de Sharon percorre diferentes tonalidades, indo desde o seu tom mais negro e grave aos tons mais elevados, sem a mais pequena desafinação.





Um dos momentos altos aproximava-se e a tela ao fundo mostrava imagens reais de um mundo em guerra. Our Solemn Hour limitou-se a ser aquilo que só por si é, uma música magistral e épica, um tema absolutamente incontornável com um refrão retumbante. Seguiu-se outro single de The Silent Force, Angels, tema em que brilha o tom angelical de Sharon den Adel que aponta para os seus fãs enquanto canta “I see the angels”.


Hand of Sorrow trás o momento alto da actuação, com banda e público aos saltos, seguindo o ritmo bombástico daquele que considero um dos melhores temas que os WT nos trouxeram com o seu álbum de 2007. O refrão viciante leva toda a gente atrás, sendo impossível fugir às palavras e à melodia das guitarras. A voz de Sharon atinge, com este tema, patamares de incrível beleza, e a sua presença em palco vem evidenciar claramente todas as razões pelas quais esta é uma das melhores Senhoras do Metal da actualidade.






A dois temas do fim apresenta-se o clássico Mother Earth e para esta não são necessárias quaisquer palavras. Quem já esteve num concerto dos WT sabe o que é sentir aquele arrepio pela espinha quando os acordes celtas se fazem ouvir e as guitarras entram atrás deixando-nos sem respirar. Sabe também que, depois, a voz de Sharon contará a história, erguendo-se no característico refrão que mais ninguém consegue cantar senão ela e que as mãos se levantarão no ar, bem altas, quando a música cessa e entra o coro masculino. Sabe que Sharon se afasta do microfone nesse momento e começa a sua conhecida “dança” e que depois a música recomeçará com aqueles acordes inesquecíveis. E sabe que tudo termina exactamente como começou. De forma épica e estrondosa.

A balada escolhida para a noite foi Memories, ao contrário da tão desejada Forgiven (do álbum The Heart of Everything), mas ninguém se deixou abater e todos cantaram em coro com Sharon que usava as letras para descrever o que estava a sentir na noite especial de aniversário que lhe tinham oferecido.





Chegara o fim da pequena hora que lhes fora reservada e a desilusão foi palpável quando os acordes da final Ice Queen se fizeram ouvir. Ainda assim, os WT entregaram-se com garra ao tema final, e os típicos “ohoh” foram gritados em uníssono pelo público, no tema-símbolo da banda. Terminara o minúsculo concerto, mas que não soube a pouco porque a banda e o público assim o quiseram. Os fãs gritavam “we want more” e Sharon dizia tristemente que também ela queria continuar. Mas o profissionalismo dos WT fê-los então abandonar o palco à hora certa, para não prejudicar a banda seguinte, não sem antes mandarem palhetas e baquetas, com Sharon a distribuir beijinhos, visivelmente emocionada.


Apesar da fraca originalidade da setlist, esta foi uma hora que provou o carisma, energia e qualidade de uma banda com 12 anos de carreira, que tocou num festival destinado maioritariamente a públicos de sonoridades reggae e que ainda assim soube dar um grande espectáculo e corresponder às expectativas de quem tudo suportou para os ver. A Senhora do Metal, Sharon den Adel, parecia não ser capaz de deixar de sorrir e a sua simpatia voltou, claro, a conquistar quem quer que ainda não se tivesse rendido anteriormente. Elogiou a noite, a beleza de Lisboa (redimindo-se, talvez, da gaffe geográfica do Super Bock Super Rock de 2006), e estendeu esses elogios ao seu incansável público, agradecendo comovida as flores, a prenda, as faixas de apoio e principalmente, os cânticos de parabéns, que considerou um momento muito especial que não esquecerá.


Resta esperar um regresso em grande e para breve, para um concerto com o dobro da duração e que percorra saudosos temas dos tempos Mother Earth (2003) e quem sabe dos ainda mais saudosos Enter (1997) e The Dance (1997). Será, certamente, mais um excelente espectáculo, como os WT nos têm habituado.

Inês Martins (Lua Minguante)

Setlist:
Intro + Jillian
The Howling
What Have You Done
Stand My Ground
The Heart of Everything
Our Solemn Hour
Angels
Hand of Sorrow
Mother Earth
Memories
Ice Queen


Créditos fotos - Blitz

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Review - Nightwish - Concerto em Lisboa - 19 de Abril de 2008

Já fez um mês desde que os Nightwish estiveram no nosso país.
18 e 19 de Abril. Duas datas com lugar marcado no Coliseu do Porto e no Coliseu de Lisboa, respectivamente. Foi o regresso da banda finlandesa Nightwish a Portugal e a primeira passagem por estes lados já com a nova vocalista, a sueca Anette Olzon.

A qualidade dos músicos que compõem a banda seria mais que suficiente para diminuir qualquer cheiro de controvérsia, mas esta tende a implantar-se com uma firmeza nada subtil. Sentimento de expectativa que crescia já há muitos meses para os fãs mais dedicados, com bilhete adquirido imediatamente depois de estes terem sido postos à venda e que foi aumentando exponencialmente à medida que o tempo passava e Abril se aproximava.


A Longa Espera


Dia 19, faltam dez horas para a abertura das portas do Coliseu e o sentimento é de uma expectativa incontrolável. E nem o mau tempo pareceu afectar os mais dedicados fãs que se deslocaram a Lisboa, debaixo de uma chuva teimosa, de um vento frio e preparados para uma longa espera. Casacos escuros e roupa preta, sorrisos que nem o adverso clima perturba e olhos brilhantes, os fãs procuram abrigo de encontro às portas fechadas, debaixo de telheiros, atrás do camião do equipamento e aguardam ouvindo mp3, conversando, fazendo sinal aos amigos que chegam. Algum tempo depois (ora chovia, ora parava de chover) somos comprimidos entre uma grade e as portas ainda fechadas do hall do Coliseu. Apesar do espaço exíguo os ânimos não foram abalados. Mais uma hora de espera e as portas abriram-se finalmente. Os grupos ocuparam os seus lugares, sentados, encostados às paredes, outros às grades, encolhendo-se, dando espaço. A espera iria ser longa e fez-se quase sempre acompanhada dos sons dos mp3, tocando Nightwish. Jogou-se às cartas, conversou-se, conferiu-se mil vezes a possível setlist, houve quem trouxesse um livro para passar o tempo. A controvérsia era bastante inevitável e por muito que se queiram polémicas aparte, as atenções centravam-se, quase inevitavelmente, na prestação da vocalista que tinha, segundo alguns (ou se calhar, todos), provas a dar.

Nove horas depois a espera tinha-se tornado insuportável. Às 19.30h já ninguém jogava às cartas, muito poucos ainda escutavam a música nos seus phones. Ninguém estava já sentado e alguns engoliam em seco uma sandes qualquer. A ansiedade atingira o pico e quando as portas finalmente abriram, iniciou-se uma corrida louca para dentro da sala. A multidão comprimiu-se contra as grades em frente ao palco, onde o material silencioso da banda de abertura, os suecos Pain, aguardava.

O Concerto


Mais algum tempo de espera com toda a gente demasiado feliz para se sentir incomodada pela falta de espaço. Conversas em diferido espalhavam-se por todo o lado e pouco depois Peter Tägtgren e restante banda subiram ao palco, fazendo soar o seu metal industrial, com predominância dos temas do último álbum Psalms Of Extinction.


Alguns problemas técnicos a nível de som impediram-nos de usufruir em pleno da música, com a bateria a sobrepor-se em demasia aos outros instrumentos e soterrando a voz do versátil vocalista, que tanto se entrega a linhas melódicas como solta berros roucos. Apesar dos problemas técnicos, a simpatia dos membros dos Pain pareceu conquistar a audiência que os aplaudia com generosidade.



Esperava-nos uma surpresa no final, com a entrada dos Nightwish em palco, que se juntaram à banda para tocar o tema dos Pain, Shut Your Mouth. Com cerca de 10 pessoas em palco, Anette e Peter partilhando os vocais, os outros membros das duas bandas espalhando-se pelo espaço e assumindo os instrumentos respectivos e os restantes membros fazendo backing vocals no refrão, este momento foi o final mais que perfeito para a primeira parte de um concerto que seria memorável.

Meia hora depois e, felizmente, resolvidos os problemas a nível de som, o Coliseu de Lisboa encheu-se finalmente do power metal sinfónico dos Nightwish orquestrado pelo mestre-de-cerimónias Tuomas Holopainen, para aquela que seria uma noite em que nenhum desejo ficaria por cumprir.

Foi nesse espírito que a banda deu entrada em palco, após introdução de três minutos, com um dos recentes singles, Bye Bye Beautiful – tema de apologia de uma verdadeira nova era. A nova bela de Tuomas Holopainen e companhia entra no palco para os primeiros versos que se lançam depois, na companhia de Marco Hietala (baixista e vocalista), num intenso refrão.




Segue-se Dark Chest of Wonders e a prova de fogo para Anette, perante uma das composições de vocalização mais operática dos Nightwish. Anette toma conta do microfone oferecendo ao público a sua própria interpretação das vocalizações de Tarja Turunen e apesar de a música perder um pouco do seu peso, não deixa ainda de ser uma experiencia memorável com Anette a contornar as notas mais elevadas com a sua própria tonalidade vocal.


No momento seguinte volta-se a terreno seguro e a uma das melhores exibições de toda a banda e da nova vocalista. Whoever Brings the Night. Anette sofre autêntica metamorfose perante os nossos olhos e ouvidos, lançando olhares maliciosos e atrevidos à audiência numa interpretação directa da paisagem musical e da letra e numa das suas melhores prestações vocais.

Nova prova de fogo, desta vez muito mais bem sucedida, embora tivesse havido quem não gostasse. Ouve-se a melodia encantatória de The Siren e a voz doce de Anette oferece-nos uma performance de grande qualidade, mais uma vez numa interpretação própria e livre dos momentos mais operáticos, levando-nos estranhamente a descobrir que a música funciona muito bem sem eles. A combinação das vozes de Anette e Marco funciona na perfeição.


Amaranth explode no palco, a banda explode em energia e a voz de Anette surge bombástica num dos novos singles, provando este ser um tema especialmente feito à imagem e semelhança da sua capacidade vocal.




O primeiro momento mais calmo da noite segue-se, trazendo consigo a emoção de The Islander. Entram as guitarras acústicas, Marco senta-se numa cadeira e os acordes da música enchem uma noite já bem aquecida. Primeiros versos de uma bela história sobre um velho do mar e Anette entra novamente em palco, trazendo uma coroa na cabeça, qual princesa na torre de que nos falam as letras. Suavidade e beleza, excelente combinação de ambas as vozes e um dos momentos altos da noite.

Eis senão quando chega o momento porque muitos esperavam (senão todos) - os coros de entrada da magistral obra-prima The Poet and the Pendulum, ex-líbris de Dark Passion Play, fazem-se ouvir na escuridão. O tema de 13 minutos é tocado na íntegra, reflectindo a força simbólica e mestria dos Nightwish de hoje. Tuomas Holopainen é maestro e encenador e a peça desenrola-se perante os nossos olhos. Somos levados ao rubro nos refrões e aos abismos angustiantes e negros da história, com a voz de Anette a levar-nos da emoção ao delírio, do delírio à dor, da dor à acalmia, sussurrando e murmurando, envolvendo-nos com doçura, conduzindo-nos ao céu para nos fazer despenhar em seguida. É com emoção na voz e nos olhos claros que a vocalista interpreta a quarta e última parte desta composição – Mother & Father. Muito perto do público, olha cada um nos olhos e faz render uma plateia já extasiada pela poderosa música dos Nightwish.

O refrão de entrada de Dead To The World faz-se ouvir logo em seguida, sem nos dar tempo sequer para respirar. O diálogo entre Marco e Anette desencadeia-se na perfeição do encontro destas duas vozes e a música leva a plateia à completa loucura. Momento alto na exibição incrível dos músicos Jukka na bateria e Emppu nos solos de guitarra, que voltam neste tema a dar provas da sua qualidade já mais que comprovada.

Seguiu-se o tema While Your Lips Are Still Red, luzes apontadas ao teclista e ouvidos deleitados na voz tão característica de Marco Hietala fazendo uso do seu tom mais melódico e doce, atingindo notas incrivelmente altas, uma voz que lhe faz valer claramente o estatuto assumido de segundo vocalista da banda. Resultado: um momento emocionalmente único.




As luzes em palco passam a um tom alaranjado e os acordes de Sahara fazem-se ouvir preparando-nos para um dos temas mais bombásticos do novo álbum. Momento a solo do guitarrista Emppu e loucura dos restantes membros da banda. A meio surge em palco uma figura vestida de Bin Laden (suspeita-se, Peter, vocalista dos Pain) distribuindo fruta e garrafas de água pelo público que aceitou mais do que alegremente a preciosa dádiva, já que o calor na plateia se começava a assemelhar a um autêntico deserto. Grande exibição da parte de todos os membros, com destaque para Anette que deu largas a todo o seu poder vocal neste tema, interagindo intensamente com o público. No final do tema, novo momento divertido com os membros dos Pain a surgirem em palco, com toalhas pousadas nos braços à garçon e copinhos que serviram aos membros dos Nightwish.

Anuncia-se a suposta última música da noite. Nemo. Tarefa de enorme esforço vocal para Anette que contorna as notas mais elevadas com a sua própria tonalidade vocal. As ligeiras desafinações neste tema são suplantadas pelo poder da música que leva ao rubro a plateia.


Chega finalmente o ansiado encore que se faz de três músicas absolutamente bombásticas. A abrir com 7 Days to The Wolves, tema forte do novo álbum. Público já mais que rendido grita o refrão nas vozes de Anette e Marco. Em palco múltiplas interacções entre o baixista e guitarrista, ambos brilhantes durante toda a actuação.


A inevitável Wishmaster faz-se ouvir então, primeiro subtilmente com acordes de piano e depois explodindo no conhecidíssimo refrão, provocando arrepios pela espinha acima. A multidão é levada à loucura por este clássico dos Nightwish.


Por fim, a última música, outro clássico absolutamente incontornável e a multidão é levada para além da loucura. Wish I Had an Angel surge sem se fazer anunciar e os membros dos Pain voltam a aparecer em palco, com o vocalista a tomar lugar na bateria de Jukka e as guitarras a duplicarem-se. Momento inesquecível… mais palavras para quê?



Está mais que provado que os Nightwish têm um lugar muito próprio e demarcado na cena do metal, um lugar onde tocam música por paixão e onde se afirmaram já há muito tempo. Anette Olzon acabou de chegar a esse lugar e foi recebida nele, tendo agora de batalhar para nele encontrar também o seu cantinho. Se a escolha do vestuário que usou em palco levou muitos a torcer o nariz, não penso que o mesmo se possa dizer da energia que demonstrou. Anette soube conquistar o público com intensa simpatia e à vontade, interagindo com os membros da banda e cantando com emoção e presença. Princípios do caminho de uma nova Senhora do Metal.




SETLIST:
1- Intro + Bye Bye Beautiful
2- Dark Chest Of Wonders
3- Who ever brings the night
4- The Siren
5- Amaranth
6- The Islander
7- The Poet And The Pendulum
8- Dead to the world
9- While Your Lips Are Still Red
10- Sahara
11- Nemo
ENCORE
12- 7 days to wolves
13- Wishmaster
14- Wish I Had An Angel





Fotografia - créditos e agradecimentos a: A. Martins e S. Almeida.

Inês Martins - Lua Minguante