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Aos Darkside of Innocence seguiram-se os Insaniae. Esta banda é seguramente capaz de dar um concerto melhor do que aquele a que assistimos... Não que a culpa seja da Senhora do Metal Isabel Cristina ou de qualquer um dos outros elementos da banda. Simplesmente, na minha opinião, creio que colocar uma banda de doom metal no meio de tantas bandas muito mais agressivas não é propriamente bom para o espectáculo. O doom tem uma sonoridade mais lenta e arrastada e, como tal, deve ser ouvido e apreciado em separado. O que aconteceu foi que houve uma grande quebra de intensidade na passagem de uma banda para a outra, o que fez com que muito do público desligasse completamente do que estava a ver e, inclusivamente, viesse até cá fora... Ficamos portanto à espera de um concerto melhor dos Insaniae, que de certeza são capazes de oferecer uma experiência interessante, desde que seja entre as bandas certas e os apreciadores do género.
Myspace Darkside of Innocence
Texto - Sérgio Almeida (Cronos)
Fotografia - Inês Martins (Lua Minguante)
E assim se passou mais uma edição da Festa do Avante, que, à semelhança do que se passou em 2002, ficou marcada por um dia debaixo de chuva, o que impossibilitou as actuações nos Palcos 25 de Abril e Novos Valores. Vá lá, no segundo dia o céu abriu e aí a Festa revelou todo o seu esplendor de outros anos.
Centremo-nos no Palco Novos Valores, visto ter sido neste que o Metal no feminino marcou presença através dos Hiffen, no segundo dia da Festa do Avante.
O Palco Novos Valores situa-se na Cidade da Juventude e o cartaz é composto por bandas apuradas em concursos organizados pela JCP em todo o país e mais duas bandas convidadas.
Os Hiffen são uma banda oriunda de Ponta Delgada com uma sonoridade algures entre o metal/rock progressivo e o metal gótico sinfónico. Perdoem-me os elementos da banda se por acaso não concordarem com a minha classificação, mas foi ao que me soou; afinal de contas o que as classificações têm mais é subjectividade... Adiante, estávamos perante uma banda de metal com voz feminina, daí terem direito a uma review de um concerto neste blog.
Relativamente ao concerto em si, este foi marcado por alguma falta de organização, visto que, supostamente os Hiffen só entrariam em palco por volta da meia noite, a seguir aos Switchtense e, o que se passou, foi que tocaram antes do colectivo da Moita.
Antes da actuação dos Hiffen, o público foi brindado com o punk/rock/ska de intervenção dos R12 (ou punk agricultor como os próprios se classificam devido ao facto de serem do Ribatejo e, segundo os próprios, devido ao facto de de vez em quando terem de se levantar ao sábado de manhã para ir apanhar batatas). A banda ribatejana até conseguiu uma adesão boa por parte do público, em parte devido ao vocalista, que tinha uma presença em palco muito boa.
Feita esta pequena introdução, passaremos então à banda que me levou a escrever esta review. Os Hiffen têm uma sonoridade que, como eu já referi, soa a qualquer coisa entre o metal progressivo e o metal gótico sinfónico. Não se pode dizer que tenha sido um concerto com uma grande adesão por parte do público que ali se encontrava, o que até é bastante compreensível, pois segundo o horário, aquela era a hora dos Switchtense, mas ainda assim deu para ver que são uma banda com bastante potencial e com músicos muito bons (vénias ao guitarrista solo Renato Medeiros). Quanto à vocalista Catarina Medeiros, tem um timbre de voz lindissimo mas deu para comprovar, mesmo quem não conhecia, que não estava nos seus melhores dias. Aliás, ela própria referiu que não estava propriamente bem de saúde, o que, além de ter influenciado a sua prestação vocal, também pode explicar o facto de ela, naquele concerto, não ter tido uma presença em palco propriamente boa. Ainda assim a simpatia e a boa disposição, quer da vocalista, quer dos restantes membros da banda, era notória e faz-nos crer que, com uma melhor organização e com um público “do seu estilo” eles teriam sido capazes de dar um concerto fantástico e, quanto a mim, estão de parabéns pelo que, apesar de todos os factores contra, conseguiram fazer.
Depois dos Hiffen, entraram em palco os Switchtense (banda de metal/hardcore da Moita), que brindaram o já ansioso e espectante público com uma actuação do mais bruto e intenso que pode existir, o que provocou, como já se previa, uma grande adesão ao espectáculo. Este foi verdadeiramente o concerto da noite naquele palco... Grande interacção da banda com o público, grande resposta do público através dos tradicionais moshpits, headbangs, punhos no ar e os tão metaleiros “HEY, HEY, HEY” nas partes balanceadas.
Hiffen Myspace: http://www.myspace.com/hiffen
Agradecimentos: Sérgio Almeida, Cronos






Esperava-nos uma surpresa no final, com a entrada dos Nightwish em palco, que se juntaram à banda para tocar o tema dos Pain, Shut Your Mouth. Com cerca de 10 pessoas em palco, Anette e Peter partilhando os vocais, os outros membros das duas bandas espalhando-se pelo espaço e assumindo os instrumentos respectivos e os restantes membros fazendo backing vocals no refrão, este momento foi o final mais que perfeito para a primeira parte de um concerto que seria memorável.
Meia hora depois e, felizmente, resolvidos os problemas a nível de som, o Coliseu de Lisboa encheu-se finalmente do power metal sinfónico dos Nightwish orquestrado pelo mestre-de-cerimónias Tuomas Holopainen, para aquela que seria uma noite em que nenhum desejo ficaria por cumprir.
Foi nesse espírito que a banda deu entrada em palco, após introdução de três minutos, com um dos recentes singles, Bye Bye Beautiful – tema de apologia de uma verdadeira nova era. A nova bela de Tuomas Holopainen e companhia entra no palco para os primeiros versos que se lançam depois, na companhia de Marco Hietala (baixista e vocalista), num intenso refrão.

Segue-se Dark Chest of Wonders e a prova de fogo para Anette, perante uma das composições de vocalização mais operática dos Nightwish. Anette toma conta do microfone oferecendo ao público a sua própria interpretação das vocalizações de Tarja Turunen e apesar de a música perder um pouco do seu peso, não deixa ainda de ser uma experiencia memorável com Anette a contornar as notas mais elevadas com a sua própria tonalidade vocal.
No momento seguinte volta-se a terreno seguro e a uma das melhores exibições de toda a banda e da nova vocalista. Whoever Brings the Night. Anette sofre autêntica metamorfose perante os nossos olhos e ouvidos, lançando olhares maliciosos e atrevidos à audiência numa interpretação directa da paisagem musical e da letra e numa das suas melhores prestações vocais.
Nova prova de fogo, desta vez muito mais bem sucedida, embora tivesse havido quem não gostasse. Ouve-se a melodia encantatória de The Siren e a voz doce de Anette oferece-nos uma performance de grande qualidade, mais uma vez numa interpretação própria e livre dos momentos mais operáticos, levando-nos estranhamente a descobrir que a música funciona muito bem sem eles. A combinação das vozes de Anette e Marco funciona na perfeição.
Amaranth explode no palco, a banda explode em energia e a voz de Anette surge bombástica num dos novos singles, provando este ser um tema especialmente feito à imagem e semelhança da sua capacidade vocal.


Chega finalmente o ansiado encore que se faz de três músicas absolutamente bombásticas. A abrir com 7 Days to The Wolves, tema forte do novo álbum. Público já mais que rendido grita o refrão nas vozes de Anette e Marco. Em palco múltiplas interacções entre o baixista e guitarrista, ambos brilhantes durante toda a actuação.
A inevitável Wishmaster faz-se ouvir então, primeiro subtilmente com acordes de piano e depois explodindo no conhecidíssimo refrão, provocando arrepios pela espinha acima. A multidão é levada à loucura por este clássico dos Nightwish.
Por fim, a última música, outro clássico absolutamente incontornável e a multidão é levada para além da loucura. Wish I Had an Angel surge sem se fazer anunciar e os membros dos Pain voltam a aparecer em palco, com o vocalista a tomar lugar na bateria de Jukka e as guitarras a duplicarem-se. Momento inesquecível… mais palavras para quê?
Está mais que provado que os Nightwish têm um lugar muito próprio e demarcado na cena do metal, um lugar onde tocam música por paixão e onde se afirmaram já há muito tempo. Anette Olzon acabou de chegar a esse lugar e foi recebida nele, tendo agora de batalhar para nele encontrar também o seu cantinho. Se a escolha do vestuário que usou em palco levou muitos a torcer o nariz, não penso que o mesmo se possa dizer da energia que demonstrou. Anette soube conquistar o público com intensa simpatia e à vontade, interagindo com os membros da banda e cantando com emoção e presença. Princípios do caminho de uma nova Senhora do Metal.

SETLIST:
1- Intro + Bye Bye Beautiful
2- Dark Chest Of Wonders
3- Who ever brings the night
4- The Siren
5- Amaranth
6- The Islander
7- The Poet And The Pendulum
8- Dead to the world
9- While Your Lips Are Still Red
10- Sahara
11- Nemo
ENCORE
12- 7 days to wolves
13- Wishmaster
14- Wish I Had An Angel