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domingo, 7 de dezembro de 2008

Elis revelam título do próximo álbum

O quarto longa-duração dos Elis terá o título Catharsis. Sandra Schleret, vocalista que substitiu Sabine Dünser, que faleceu em 2006 vítima de uma hemorragia cerebral, fez a seguinte declaração sobre este novo registo:

“Há algum tempo atrás, pouco antes de me juntar aos Elis, passei por um período muito complicado. Em termos físicos foi a experiência mais difícil da minha vida. Estava a enfrentar uma doença muito grave, e enquanto o meu corpo lutava eu sentia a minha alma a seguir um outro caminho. Desenvolvi uma força que nunca imaginei ter, mas que foi essencial nesse período. Retirei-me da “vida real” durante meio ano, e senti-me à parte, como se não participasse da realidade. Através das histórias que conto em Catharsis estou a sublimar esse período da minha vida, a partilhar os meus sentimentos, medos e também as coisas que observei como outcast. A palavra Catharsis tem vários significados, mas aqui representa a cura da alma que passa por uma tragédia. Para perceber como a vida é mágica tive de experimentar o seu lado sombrio”.

Site Oficial
Myspace

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

ELIS em estúdio


Os Elis entraram em estúdio (Mastersound Studio, Alemanha) para a gravação do sucessor de Griefshire, que contará uma vez mais com a produção de Alex Krull (Atrocity, Leaves' Eyes). O lançamento está previsto para o início de 2009, e será o primeiro trabalho de longa duracção com a nova vocalista, Sandra Schleret.

Sandra Schleret, emprestou a sua voz a várias bandas, entre as quais aos Dreams of Sanity, nos anos 90, e à banda de Epic/Viking Metal Siegfried. Fez parte dos Soulslide e fundou os Eyes of Eden com Waldemar Sorychta. Porém, teve de abandonar estes projectos devido a um grave problema de saúde. Já completamente recuperada, juntou-se aos Elis em Dezembro de 2006.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Elis - Der Letze Tag



Sabine, a tua voz permanecerá connosco. Canta com os anjos.
Até sempre.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Review Elis - Griefshire



Tracklist:

1. Tales From Heaven or Hell
2. Die Stadt (The Village)
3. Show Me The Way
4. Brothers
5. Salvation (MCD - Show me the way)
6. Seit dem Anbeginn der Zeit (Since The Beginning of Time)
7. Remember The Promise
8. Phoenix From Ashes
9. How Long
10. Innocent Hearts
11. Forgotten Love
12. The Burning
13. New Decade


Griefshire - É assim que em 2006 os Elis regressam com o seu terceiro album. É o primeiro então, até à altura, que aborda um conceito/história e o último antes da morte de Sabine Dunser.
Produzido por Alexander Krull e lançado pela Napalm Records, este album apresenta-nos assim, a história de dois irmãos (religiosamente fanáticos), a procura da salvação e o desejo da verdade e do amor num conjunto variado de estilos.
À medida que escutamos o album as várias personagens vão sendo apresentadas e por vezes quer queiramos quer não, somos forçosamente transportados para o cenário de dor, perda e dúvida onde os sons melodiosos e por vezes agressivos tornam tão fácil a visualização dos mesmos.

Sendo assim, passemos apresentação dos seis elementos que se juntam a nós nesta busca durante as 13 faixas deste projecto:

Mãe do narrador - uma sábia e bondosa mulher, que assume o papel de uma bruxa, onde dedicou toda a sua vida na ajuda de quem mais necessitava e na partilha dos seus conhecimentos pelos restantes sábios.
Narrador - o mais novo dos irmãos, apesar de inválido desde o seu nascimento, é um homem extremamente inteligente, que durante a sua jornada é constantemente confrontado com as suas dúvidas.
Irmão do narrador - este apresenta-nos uma personalidade fascinante, tem o dom natural de liderança, que no entanto corrompe todos aqueles que se atrevem a segui-lo.
Ao longo da história observamos como esta sua capacidade o transforma no líder da seita da própria aldeia.
Mulher do irmão - a paixão e o amor secreto do nosso narrador. Uma mulher inteligente que apesar de saber a verdade sobre o seu marido recusa-se abandona-lo.
Filha do Narrador - possui os poderes e a sabedoria da sua avô, foi criada pelo seu pai que sempre a ensinou a usar os seus poderes para o bem.
A seita - é composta por todos os aldeões corrompidos que se juntam ao Irmão. Acreditando que este lhes pode mostrar o caminho para a salvação…nunca desconfiam que tal é impossível.

Apresentações feitas e cenário montado. Está na altura de prosseguirmos viagem e entrarmos um pouco mais fundo na imaginação de cada um. Preparados?


Tales From Heaven and Hell é a nossa primeira paragem, a música começa com uns leves sons de chuva, trovoada, e um ligeiro barulho do vento que quase podemos sentir. Acompanhando estes eventos da natureza existe uma pequena melodia de uma caixinha de música. Devo dizer que não podia haver melhor intro para tal. No entanto não se deixem enganar pela suavidade com que somos confrontados.
A música desenvolve-se com um misto de guitarras, bateria, até à entrada da voz de Sabine, onde nos conta as dúvidas e nos mostra a dor da filha do narrador ao descobrir o diário do pai numa caixinha de música. Se de principio somos presenteados com suavidade o mesmo já não se pode dizer quando a música chega a mais de metade. É notável o trabalho do Pete e do Chris assim como o coro que entretanto se junta. Aliás, estes são os elementos chave que tornam este álbum diferente e rico.

Desembarcamos na aldeia onde a história é passada, é com Die Stadt que podemos ter um cheirinho das memórias do narrador e da descrição da própria. Uma aldeia abandonada, onde tudo parece vazio, desprovido de sentimentos alegres e sem cor. É assim que interpreto o começo desta música e a vocalização de Sabine. No entanto, tenho de dizer que acho a música extremamente aborrecida. O mesmo tom com que a própria é cantada e o acompanhamento instrumental tornam esta demasiado repetitiva, onde só nos refrões e mais para o fim conseguimos ver, neste caso ouvir, a evolução da mesma.
É-nos dito que se escutarmos bem conseguimos ouvir no sopro do vento as memórias perdidas e o rastio de esperança…é aqui que a inclusão do piano quebra um pouco esse ritmo e começa a fazer parte da história.

Caminhando mais um pouco, chegamos provavelmente à faixa mais banal do álbum que no entanto pode ser extremamente viciante: Show Me The Way.
Somos presenteados com a história da mãe do narrador, de como os seus poderes eram importantes e de como isso teve efeito na vida dele:

"Mind body and soul
Life love and healing
Connect be connected
Nine words to change your whole life"


Tal como a música anterior esta sofre da mesma constante repetição, é facil de memorizar e de cantarolar se tivermos a fim de…no entanto ao contrário da outra, a repetição desta não cansa e não aborrece (bem…a menos que a oiçam repetidamente e percam a conta de tal). Um elemento que achei crucial nesta faixa, foi mais uma vez o piano e como acompanha a voz da Sabine. A sonoridade deste vem mais uma vez quebrar um pouco a agressividade dos instrumentos e do todo em si.

A nossa história continua e à medida que vamos ouvindo mais um pouco vamos ficando a conhecer o que se esconde por detrás de cada personagem. É assim que a música Brothers nos dá a conhecer um pouco mais sobre os mesmos. O que os une, as suas diferenças e as suas cumplicidades.
Sinceramente não sei como hei-de explicar o efeito desta faixa. Ao princípio quando ouvimos a voz da Sabine podemos achar a dita sem força, talvez até um pouco fora do contexto instrumental da mesma…No entanto se ouvirmos com atenção e realmente entrarmos no espírito da história, pode ser vista como o simbolismo da fragilidade dos laços ou da promessa que nos é descrita.
O mesmo já não acontece quando somos invadidos pelos guturais de Tom que nos mostra esta mesma dualidade tão distinta.

A música seguinte, Salvation, apesar de ser uma continuidade desta história, só aparece no Maxi Single: Show me the way.
De todas as músicas, esta é uma das que nos remete mais facilmente para um espaço cénico quase teatral…um musical onde conseguimos ver exactamente o que se passa. Temos de um lado as vozes penetrantes dos habitantes, a angústia e a quase obsessão pelo perdão e pela salvação das suas almas. Novamente os sons guturais de Tom que se impõe tal e qual como um líder, ordenando respeito e medo.


É este mesmo medo que continua em Seit dem Anbeginn der Zeit. Chegamos então a um momento de paragem. É a primeira música do álbum em que desaceleramos o compasso. Não sendo a mais lenta, é certo, esta é como se fosse um respirar fundo e uma interiorização dos acontecimentos. Melhor parte? A forma suave como a Sabine nos conta e o contraste entre a própria melodia, que apesar de não ser tão pesada como as restantes também não é tão suave como se julga.

Promessas…é o que a nossa próxima música nos fala…quantas vezes as fizemos e quantas vezes as falhámos e as esquecemos?
O relembrar da infância e da promessa feita é o tema central destas duas faixa seguintes. Somos novamente confrontados com as três partes intervenientes na música Salvation. Basicamente entre a Remember The Promise e a Phoenix From Ashes assistimos à discussão entre os dois irmãos. Entre a ténue linha que divide o bem e o mal e qual destas o irmão do narrador pretende perseguir. Ambas as músicas conseguem montar um panorama dos sentimentos, da revolta e do resto que os separa.

Sendo assim e mudando radicalmente de cenário, How Long é a primeira balada do álbum, apresenta-nos pela primeira vez o ponto de vista da mulher do irmão e o eterno amor do narrador.
São contadas memórias e a descoberta da verdade, onde mais uma vez as dúvidas e angústia estão presentes assim como a tomada de uma decisão com o poder de mudar muita coisa.
A instrumentalização nesta faixa é divinal e a voz suave e doce da Sabine conseguem provocar um arrepio de satisfação, acaba por fazer parte de nós, não só pela própria letra como também a maneira com que consegue mexer com os nossos sentimentos.

A decisão é tomada com a Innocent Hearts e é aqui que voamos novamente para o ponto de vista do irmão do narrador. A chantagem emocional as ameaças perante a sua mulher são patentes e no entanto, estranhamente, quase podemos ainda ver o amor e a necessidade que ambos sentem em ficar juntos.
Quanto à música em si, penso que o ponto alto desta é mesmo a vocalização da Sabine e os papeis que assume ao longo da faixa, mas no entanto não encontro nada de novo para além disso.

Outra paragem…desta vez viajamos 1 ano no tempo e encontramo-nos novamente numa balada. A segunda deste album para ser mais exacta: Forgotten Love
Enquanto na primeira achei que a voz da Sabine tinha um papel principal, nesta o toque melancólico do violino rouba toda atenção, como se fosse um lamento da vida que o nosso narrador decidiu levar, das memórias e como se separou assim da aldeia e de todos.

Depois de andarmos um pouco aos saltos pelos sentimentos libertados pela faixa anterior, a seguinte de serenidade não tem nada. Talvez como a faixa mais marcante do álbum, The Burning é o ponto culminante de tudo.
A própria violência da música demonstra a acção e num jeito quase teatral a voz de sabine encara vários tons ao longo da música.
É aqui também que observamos o desenrolar o ‘quase’ fecho da história. É onde a verdade vem ao de cima, onde os habitantes da aldeia percebem finalmente que afinal quem seguiam não os pode levar a salvação quando ele próprio precisa dela.
Quanto ao resto do que se passa nesta música…não seria justo fazer um spoiler nesta parte.. ;)

New Decade…tem origem 10 anos depois, encontram-nos com a filha do narrador após ter lido o diário o pai.
Infelizmente como fecho da história a música é aborrecida, não como estava à espera, pelo menos a nível de ritmo e de instrumentalização assim como a participação de Sabine, que só melhora no refrão onde deixa de lado aquele sotaque esquisito, não natural e que por vezes tornar-se um pouco irritante…

O que este álbum tem de diferente? Ao ouvir o álbum completo sem paragens é notável a diversidade de melodias, a forma como o álbum não segue uma linha recta mas sim com vários desvios. A forma como este conceito consegue montar um palco e fazer de nós espectadores prontos a rumar viagem.
Nota-se uma grande evolução da própria banda, uma banda mais matura e mais ordenada que promete sempre mais alguma coisa e nos deixa na expectativa.
Devo dizer mais uma vez, que neste álbum, é marcante o trabalho do Pete e do Chris como guitarristas (sem tirar o mérito aos restantes!), os instrumentais são divinais e a forma como despertam adrenalina é gratificante. Mesmo nas partes mais repetitivas de algumas faixas há sempre um elemento que tenta modificar. Por vezes bem sucedido outras vezes não tão bem.

Por último, é obrigatório dizer que todo o conceito assim como as letras das músicas foram escritas pela Sabine, foi em memória desta que os restantes membros decidiram lançar o album…como um acto de amizade, de coragem…e que nos mostra que o tempo e a morte é um poço de saudade.

18 valores

Para mais informações sobre todo o conceito, da história, é recomendável que consultem: Griefshire Concept

Line up:
Sabine Dünser - Vocais
Pete Streit - Guitarra
Chris Gruber - Guitarra
Tom Saxer - Baixo, Guturais
Max Naescher - Bateria
Judit Biedermann (Nevertheless) - Violino na faixa "Forgotten Love"


Ana Teixeira (Lua Nova)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Elis - Show Me The Way Live (Live)

Aqui fica uma das raridades da banda que tem estado em destaque este mês no nosso blog - os Elis. Digo raridades porque é extremamente difícil encontrar material vídeo do tempo em que a Sabine, a nossa senhora do mês, era a vocalista.

Elis - Show Me The Way Live (Live)

REVIEW Elis - God's Silence, Devil's Temptation [2003]

Tracklist:
1.For Such a Long Time
2.Where You Belong
3.Sie Erfasst Mein Herz
4.Do You Believe
5.Engel der Nacht
6.God's Silence
7.Devil's Temptation
8.Come to Me
9.My Only Love
10.Child
11.Abendlied



O primeiro trabalho da banda sobre o signo de Elis fez-se com este God’s Silence, Devil’s Temptation [Napalm Records, 2003], que nos chega em suaves tons outonais, inspirado a nível gráfico, lírico e, de certa forma, também musicalmente, nas ambiências desta estação do ano. Juntamente com o nome Erben der Schöpfung, os Elis abandonaram os meandros de uma sonoridade de forte componente electrónica, embora esta influência não deixe de se sentir neste e nos subsequentes registos do colectivo. Com o seu disco de estreia, o som dos Elis trilha os caminhos do rock/metal gótico, combinando peso das guitarras, cuja sonoridade estabelece um estilo mais rock que propriamente metal e a melodia do piano e voz de Sabine, sem esquecer o esquema de vocalizações Beauty & The Beast. No entanto, os Elis demonstram a originalidade deste projecto, apresentando dois elementos que já referi e que não são propriamente comuns no estilo – um deles, o piano, em substituição dos mais típicos órgãos e sintetizadores e a característica voz de Sabine, que alterna habilmente entre um timbre mais directo e rockeiro e a melancolia elevada do seu tom soprano.

God’s Silence, Devil’s Temptation foi produzido entre os anos de 2002/2003 nos Mastersound Studios, pelo produtor e músico Alexander Krul (LEAVE’S EYES, ATROCITY). Liricamente, o registo de estreia dos Elis explora temas humanos como a traição, o amor e as memórias perdidas, ao mesmo tempo que mergulha no caótico questionamento sobre Deus e a condição humana, tacitamente implícito no título do mesmo. A composição fica maioritariamente nas mãos dos fundadores, Pete Streit e Sabine Dünser, com três temas integralmente cantados na língua materna do colectivo, o alemão.

Such a Long Time é a faixa de abertura. Melodias de timbre electrónico (reminiscências da fase Erben der Schöpfung) misturam-se com as guitarras rock e o som do piano. A voz de Sabine alterna entre o seu timbre mais rockeiro e o tom de soprano que se evidencia no refrão. Destaque para a presença das guitarras, em múltiplos solos trabalhados, que vão definir desde já a típica sonoridade Elis.

Where you Belong arranca com os grunts do baixista Tom Saxer, tão característicos da sonoridade gótica, logo depois interrompidos pela beleza melódica da voz de Sabine, na faixa mais emblemática do disco, com um refrão que se recusa a abandonar a nossa consciência – “It’s where you belong/don’t you see/when memories are gone/sent to be free”. Tão catchy e viciante como uma qualquer canção pop.

Sie Erfasst Mein Herz é o primeiro tema do registo integralmente cantado em alemão, no tom suave e triste de Sabine que se ergue numa apoteose melódica, trabalhada sobre os teclados e o peso de guitarras que surgem no refrão. A delicadeza suave da voz de Sabine nas vocalizações em alemão torna-as a minha especial preferência. Um momento alto do disco.

Piano abre o tema seguinte, Do You Believe, onde os Elis mostram todo o seu potencial musical, com um arranque misterioso e cadenciado, dando lugar a uma entrada de guitarras bem rock. Velocidade é impressa na sonoridade dos Elis, mas nunca em demasia, dando-se lugar ao preferível ritmo cadenciado que culmina com novo refrão viciante, sempre realçado por um piano discreto, mas indubitavelmente muito presente. Alterna-se aqui, entre a velocidade e o peso, a melodia e momentos de calma.

Engel der Nacht traz a excelência da voz de Sabine erguendo-se em todo o seu esplendor nas vocalizações na sua língua materna. Delicadeza coroa o peso, originando um apogeu da sonoridade gótica dos Elis, com a melancolia plenamente expressa na voz de Sabine e no, sempre presente, piano.

Chegamos a meio do álbum para ir de encontro ao duo de temas centrais, escolhidos para intitular o mesmo. God’s Silence e Devil’s Temptation são os ex-líbris do álbum. A primeira mais leve que a segunda, mas não menos perturbadora. Liricamente, o conceito toma, nestes dois temas, um peso e uma força maior e quase sinistra. A temática Beauty & The Beast é aqui jogada nas vozes de Tom Saxer e Sabine, em doses equilibradas. God’s Silence apresenta agradáveis pequenos solos de piano que se intercalam com as vocalizações de Sabine, encontrando-se estas a determinada altura com o tom negro de Saxer, para culminar num refrão melancólico. Sabine envereda por vocalizações sinuosas e inquietantes, com as guitarras a realçar a ambiência rock. Devil’s Temptation evoca ambientes do interior de uma catedral abandonada. A voz de Tom Saxer tem aqui uma maior predominância, conferindo o peso, que contrasta com as vocalizações mais líricas de Sabine em todo o álbum, que se desdobram em coros sobrepostos, conjugadas com um tom desesperado e mais frio. As guitarras também têm aqui o seu momento, já quase no final, desenrolando-se em solos interessantes.

Chega a primeira (e podemos considerar, única) balada – Come to Me. Como seria de esperar, o piano domina aqui a secção melódica, com evidente destaque para a prestação vocal de Sabine que dá mostras mais do que confirmadas da beleza da sua voz, desdobrando-se em múltiplas sobreposições.

A veia rock gótico dos Elis volta em força com My Only Love, um tema em que a harmonia e as guitarras se combinam com a voz de Sabine para criar aquilo que nunca falta num álbum do género, algo entre uma possível balada e uma canção rock. Destaque aqui para o timbre que a vocalista adopta na maior parte da composição – um tom directo e rockeiro.

Child é, para mim, a pérola deste registo - um tema lento e compassado, em que a voz de Sabine atinge a excelência nos tons elevados, absolutamente soberba e etérea. Child representa, para mim, aquilo que de melhor os Elis faziam em 2003 e é, ainda hoje, uma das músicas de que mais gosto. O piano apresenta uma composição envolvente, coordenada de forma perfeita com o peso dos restantes instrumentos, dando predominância ao tom inesquecível de Sabine.

Abendlied é o tema final, uma composição integral em piano, perfeita para escutar com toda a atenção a voz melancólica e doce de Sabine.

God’s Silence, Devil’s Temptation é um álbum para os apreciadores do rock/metal gótico interessante e de qualidade e uma peça mais do que indispensável para os apreciadores das vozes femininas do metal, as Senhoras do Metal. Em 2003, foi o começo promissor da carreira dos Elis.
16 valores
Formação:
Sabine Dünser (RIP) – voz
Pete Streit – guitarra
Jürgen Broger – guitarra
Tom Saxer – baixo e voz
Franky Koller - bateria
Inês Martins (Lua Minguante)

terça-feira, 8 de julho de 2008


Sabine Dünser
27 de Junho 1977 - 8 de Julho 2006

Dedicatória dos Leaves' Eyes

To Sabine:

Being you, Sabine,
made you shine
Caring, loving, a true friend
and a heart so warm

To your friends and family
you always gave strength
Hearing your voice, Sabine,
opened our hearts

In the dark, in rain, through tears
you held the light
A million stars will always shine for you
at night.


quarta-feira, 18 de junho de 2008

Sabine Dünser - "My Heart and Soul"


“My heart and soul are filled with sadness
Deep as grey oceans in your eyes”
Forgotten Love, Elis, Griefshire 2006

Comecei e recomecei este texto diversas vezes, hesitante e desconfortável. Recolhidos os dados nominativos e descritivos, tinha pedaços de biografias, pedaços de entrevistas, pedaços da vida que passou de Sabine. Tarefa extremamente emocional para mim, foi-me e é-me difícil escrever sobre isto, encontrar maneira de falar desta mulher e da sua vida e dos seus sonhos. Estranha a sensação de quando uma voz nos toca a alma e parece que nos fala para dentro e por dentro de nós, que temos a sensação de conhecê-la tão bem, que essa voz se torna nossa também. Não queria falar da morte de Sabine (contrariamente à grande maioria dos artigos que surgem perante nós quando pesquisamos o seu nome no Google). Sabia que queria falar da sua vida e da sua música, da sua voz e das suas melodias, das letras que escreveu e cantou. Mas os dados, essa matéria-prima sobre a qual deveria trabalhar, entristeciam-me. Nas entrevistas era a voz de Sabine que eu lia, falando entusiasmada de tours e concertos futuros. Nas biografias desenhava-se, quase friamente, um percurso musical que foi resultado de um dom para a música que despertara cedo em Sabine. Lia e descobria coisas que desconhecia. Que Sabine tocava piano e que os teclados que ouvimos nos temas dos Elis são da sua autoria. Que a voz foi desde cedo parte da sua vida – cantou em múltiplos coros e musicais, teve mais tarde aulas de canto e nem um problema a nível das cordas vocais a conseguiu afastar do seu sonho. Profissionalmente, Sabine estudara terapia e era terapeuta da fala, trabalho que nunca chegou a abandonar durante toda a sua vida. O seu sonho era um sonho comum entre músicos – viver, única e exclusivamente, da música que compõem. O sonho nunca se cumpriu, mas começou em 2000 com o projecto musical que fundou - Erben der Schöpfung (numa tradução livre significa “Herdar/Herança da Criação”), que deu origem, mais tarde e, com a saída de um dos membros, à banda Elis. Natural do pequeno Liechtenstein, a vida de Sabine, enquanto Senhora do Metal escreve-se na vida deste seu projecto musical, que começou em 2001, com o primeiro single Elis e o álbum de estreia Twilight. Após apresentação ao vivo no Festival Wave Gotik em Leipzig, a carreira da banda levou um impulso ao ser reconhecida pela imprensa alemã como a banda revelação do ano. Dois anos depois os Elis entravam em estúdio para gravar um novo álbum, produzido por Alexander Krull (Atrocity, Leaves’ Eyes) – nascendo aí God’s Silence, Devil’s Temptation que os levou em tour pela Alemanha, Suíça e Bélgica. Um ano depois saía Dark Clouds in a Perfect Sky, igualmente produzido por Alexander Krull e mostrando o crescimento e maturidade da banda. A The Dark Clouds Tour levou os Elis a tocar pela Alemanha, Áustria e Bélgica, conjuntamente com os Visions of Atlantis e os Lyriel, seguida de nova tour já na companhia dos Battelore e dos amigos Atrocity e Leaves’ Eyes. Um novo álbum começou depois a ser preparado, um projecto conceptual pensado e escrito por Sabine, que criou para ele todo um enredo narrativo. O álbum póstumo viria a ser chamado simbolicamente Griefshire (Terra da Dor) e foi lançado em Novembro de 2006, em memória de Sabine, que a ele se referia carinhosamente como “meu bebé”.

A história poderia terminar aqui, um percurso curto de apenas 6/7 anos, resumidos em 4 álbuns, mas Sabine foi como “aqueles, que por obras valerosas, se vão da lei da morte libertando”, como dizia o poeta. Dela ficou um percurso de força de vontade e determinação evidentes, quando num país tão pequeno como o Liechtenstein se escolhe o obscuro sonho de ter uma banda de metal gótico, anichada numa minúscula cena metal quase irrisória neste país. Nada que impedisse Sabine e restantes companheiros de banda, de contrariar todo o cenário fatalista e encetar um projecto de criação de música negra, gótica e de profusos ritmos rock. Dela ficou a sua música, as suas letras, a sua voz e, com ela, uma parte da sua vida, da sua alma, do seu sonho. Combinando peso de baterias, guitarras e guturais, melodias vocais e paisagens elaboradas por teclados, a música dos Elis é ponto incontornável do metal gótico, assim como a voz etérea de Sabine o é, incontestavelmente.

Termino ao som de Forgotten Love, tema do último álbum Griefshire, todo ele ainda gravado com a voz de Sabine. Lembro a minha determinação inicial - não queria escrever sobre a partida de Sabine, mas sei que a emotividade que me levou em cada linha, foi essa. Fugir do sentimento é impossível e na minha busca por pedaços da vida de Sabine para escrever este texto, encontrei muitas preciosidades desta sua vida que ficou, não posso evitar dizê-lo, tristemente incompleta. A música que me acompanha faz a catarsis das minhas emoções e em cada verso, a voz de Sabine canta palavras que assumem um imenso significado. Estranho ou não, a voz de Sabine demorou, quando a ouvi pela primeira vez, a penetrar no meu espírito. Mas, subitamente, um dia, estava lá. Mas ela já não.



A voz ficará sempre.



Sabine, descansa em paz, canta com os anjos. E obrigada pelas horas de felicidade, calma e sonhos que me deste.






Elis - membros:
Sabine Dünser (RIP) - Voz (2000– 2006)
Sandra Schleret - Vocals (desde 2006)
Pete Streit - Guitar (desde 2000)
Chris Gruber - Guitar (desde 2005)
Tom Saxer - Bass, Grunts (desde 2000)
Max Naescher - Drums (desde 2004)

Discografia:
Erben der Schöpfung:
Twilight – 2001
Elis (Maxi CD) - 2001

- Elis
God's Silence, Devil's Temptation - 2003
Dark Clouds in a Perfect Sky - 2004
Griefshire - 2006
Show Me The Way MCD - 2007

- Singles
"Der Letze Tag" - 2004
"Show Me the Way" - 2007


- Videos
"Der Letzte Tag" - 2004



"Past is haunting me
Fragments of memory
disturb my peace of mind
Hours of delight
now seem a thousand years away
I was a fool to let you go


My heart and soul are filled with sadness
Deep as grey oceans in your eyes
My heart and soul are filled with sadness
Despair spreads its fingers around my mind


Days of love and hope
were followed by aeons of loneliness
as darkness sunk into our hearts
The other one’s shadow
stood between us, a silent wall of doom
darkening the sky

My heart and soul are filled with sadness
Deep as grey oceans in your eyes
My heart and soul are filled with sadness
Despair spreads its fingers around my mind

Only memories remain
in a world now cold and dark
Where flowers grew now dust has covered everything

Crying doesn’t help anymore
so what can I do?
Torn in pieces is my heart
I don’t know where to go"




Inês Martins, Lua Minguante