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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Edição nº 8 - Janeiro


Editorial


Ano novo, vida nova?

O novo ano começou há uma semana atrás. Nós por cá gostamos de ser do contra e em vez de começarmos o mês no dia 1, começamos no dia 6, que é para variar. Seja como for, 2008 já lá vai e temos mais um ano novinho em folha cheio de dias fresquinhos (por enquanto mais gelados do que frescos) por estrear. 2009 vai ser duro de roer, dizem-nos os profissionais do jornalismo todos os dias, para o caso de nos esquecermos momentaneamente. Com isso em mente, o comum dos mortais decide precaver-se e desejar com toda a força que a renovação chegue à sua vida e melhores dias se anunciem. Limpamos, lavamos e arrumamos a casa, como se esta nunca tivesse visto um pano do pó na vida. Fazemos planos, traçamos metas, escrevemos listas intermináveis de coisas que queremos fazer. Juramos não fazer uma data de outras coisas. Avaliamos o que foi feito e propomo-nos fazer diferente. A esperança num ano melhor norteia todos estes esforços que de outra forma seriam tarefas bastante estúpidas. Assim, tornam-se só um bocadinho estúpidas ou uma maneira fantástica de, quando chegamos ao ano seguinte, verificarmos que não cumprimos nenhum ponto da lista.

À porta de um novo ano, estas listas fecham (esperamos nós) um ciclo envelhecido, com alguns dias simpáticos e muitos dias que não nos agradaram minimamente. Na noite de 31 para 1 decidimos fazer muito, muito barulho. Para esse efeito, fazemos uso inteligente de tachos e panelas que já viram melhores dias. Diz a tradição que o barulho afasta os maus espíritos que, aparentemente, gostam pouco de reveillons e espumante barato. Os tachos podem ser velhos, mas não a roupa. Para atrair a tal renovação benéfica, convém estrear o vestido novo. Se queremos renovação amorosa, então a solução está nas cuecas, que devem, dizem, ser azuis e novinhas em folha. Aperaltados, brindamos com o tal espumante (porque há crise, não se esqueçam) e comemos as 12 passas, tentando ter ideias à pressão para tantos desejos. O objectivo é entrar, está claro, com o pé direito, mesmo que com o esforço de nos lembrarmos deste pormenor acabemos por entrar com o esquerdo.

Independentemente do pé que entrou primeiro, o novo ano chegou. E um novo ano serve sempre para os recomeços de todos nós. E mesmo que tenhamos chegado atrasadas e entrado com o pé esquerdo, mesmo que para nós o primeiro dia do ano seja o sexto dia, um facto é que, não há como negá-lo, também esperamos a tal renovação benéfica. Assim, depois dos tachos, das panelas, dos vestidos, das cuecas e das passas, convém voltar ao mundo apaixonante do Metal no Feminino (assim mesmo, com maiúsculas). E como também somos comuns mortais, temos igualmente uma lista de desejos. Mas, como diz a superstição, é melhor não se falar deles… ou não se realizam.

Sendo mais uma vez do contra, atrevo-me a nomear alguns. Não será novidade para muitos dos nossos leitores que pretendemos ir longe com este projecto. A vontade de ir um pouco contra o sistema foi apenas o princípio da nossa dedicação absoluta a um projecto de jornalismo ainda muito amador, mas que pretende ser profissional. O Metal no Feminino é a nossa paixão, um assunto para nós inesgotável. No mês passado, ainda no velhinho 2008, lançámos aos nossos leitores um desafio: seguindo a tradição de avaliar o ano que passou, pedimos que fizessem as vossas listas e nos dissessem quem são para vocês os Melhores de 2008, no âmbito do metal/rock/alternativo com voz feminina e/ou instrumentistas femininas. O prazo de envio continua a ser até ao dia 15 de Janeiro. Até agora, a nossa caixa de correio permanece vazia.

Esperávamos algo do novo ano e ele não nos deu isso que esperávamos. Porquê? Bom, a razão terá que estar em nós. Este projecto trouxe algo de novo para muita gente. Passou a ser uma parte importante das vidas destas duas escribas e uma designer e penso que terá passado a fazer parte de uma rotina diária de alguns leitores, que passam nesta página de quando em quando, quando lhes apetece, quando não têm nada melhor para fazer, ou simplesmente porque se interessam tanto ou mais do que nós por este universo da música. O blogue trouxe algo de novo, mas não criou ainda raízes. Está a começar a criá-las em nós, pelo menos. O resto pertence ao tempo e ao nosso esforço. O que interessa é continuar mês após mês, apaixonadamente, profissionalmente. No final de mais este ano, quando até 2009 já for velhinho e tiver passado à história (e com ele, esperemos, a crise económica), no próximo Dezembro que aí vier, as SM terão já um ano e meio de vida. Nessa altura já o bebé sabe andar pelo seu próprio pé e até dizer coisas interessantes como “mamã” e “papá”.

Espero que continuem connosco até lá… um Bom Ano!


Inês Martins,

Cláudia Rocha e Ana Teixeira

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Edição nº 7 - Dezembro

Editorial


Mudam-se os tempos...

Theatre of Tragedy e Nightwish são duas bandas ícone que, nos já idos anos 90, foram responsáveis não só pela criação de novos subgéneros dentro do metal, como pela proliferação de bandas femininas com vozes operáticas.

Liv Kristine, a jovem soprano de voz cristalina, foi uma das primeiras vocalistas femininas numa banda de doom metal – porque aquando do lançamento dos seus primeiros álbuns, num tempo em que a etiqueta gothic metal ainda era recente, os Theatre of Tragedy constavam do catálogo do doom metal.

Os Nightwish surgiram alguns anos depois e o próprio Tuomas Holopainen confessou que os Theatre of Tragedy foram uma das suas inspirações. No entanto, a voz de Tarja Turunen tinha/tem poucos pontos em comum com a de Liv: trata-se de um timbre mais negro, mais pesado, mais poderoso. E desenganem-se os leitores que acreditam que, nos anos 90, os Nightwish se impunham pela grande qualidade das suas composições. Angels Fall First é um álbum bastante medíocre, à excepção de um par de temas. Foi Tarja que fascinou os ouvintes, primeiro da Finlândia, depois do resto do mundo. E o resto é história.

Apesar de pertencerem a sub-géneros completamente diferentes, estas duas bandas tinham algo em comum: o facto de ambas as vocalistas serem cantoras líricas. Muitos outros projectos – alguns activos até aos dias hoje – seguiram as pisadas destas bandas seminais, o que resultou numa explosão de cantoras líricas. Era como se a Ópera tivesse invadido o Metal o que, na época, era uma tendência nova e refrescante, que foi essencial para que as Senhoras do Metal se estabelecessem na cena. As vozes de mulheres talentosas como Vibeke Stene dos Tristania, Floor Jansen dos After Forever, Simone Simons dos Epica, Melissa Ferlaak dos Aesma Daeva/Visions of Atlantis, entre tantas outras, nunca nos teriam encantado se não fossem estas duas bandas seminais nos anos 90.

No entanto, passados mais de dez anos desde o primeiro lançamento dos Theatre of Tragedy, algo está a mudar no Reino das Senhoras do Metal. Talvez o sintoma mais evidente tenha sido a substituição de Tarja Turunen por Anette Olzon. Contra todas as expectativas, e para o desapontamento de muitos, os Nightwish não optaram por uma vocalista lírica, mas sim por uma senhora com uma voz mais directa, mais rock. E não foram os únicos. Também os Tristania, após a saída da carismática Vibeke Stene, escolheram uma poderosa voz rock para ocupar o lugar deixado vago pela sereia norueguesa. E ainda antes destas mudanças radicais (e dramáticas!) de alinhamento, já os After Forever tinham mudado a sua sonoridade, com Floor a deixar cair para segundo plano as suas vocalizações operáticas.

O facto é que, actualmente, uma banda que tenha uma vocalista lírica é encarada como “mais uma” e, a não ser que a sua sonoridade tenha um “quê” de original, como é o caso dos Diablo Swing Orchestra ou dos Adastreia, detectam-se alguns franzires de sobrolho por parte dos críticos. De bandas Beauty & the Beast, então, nem se fala: cada vez menos colectivos apostam neste contraste, escolhendo dar primazia a apenas uma das vozes.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. E as as vozes rock são uma tendência que se afirma cada vez mais e que – fazendo um pouco de futurologia – serão dominantes nos próximos anos. O romantismo obscuro do gótico está a abandonar a cena para ser subsituído por uma sonoridade mais terrena, mais metaleira. As lânguidas donzelas vitorianas estão a ser substituídas por mulheres de garra e atitude Os vestidos de veludo deram lugar às calças de ganga, a fragilidade a uma certa agressividade. E até Sharon den Adel deixou de lado os vestidos longos, que eram a sua imagem de marca, para adoptar um visual mais moderno.

Algumas representantes desta nova tendência são Angela Gossow dos Arch Enemy, Riina Rinkinen dos Silentium, Helen Voght dos Flowing Tears, Magali Luyten dos Virus IV, Marjen Welman dos Autumn, Mariangela Demurtas dos Tristania e, goste-se ou não, Anette Olzon dos Nightwish.

Muito à semelhança da grande senhora Doro Pesch, que está a celebrar os seus 25 anos de carreira, estas são mulheres de “pêlo na venta”. Sinais dos tempos?

Cláudia Rocha
e
Inês Martins, Ana Teixeira

domingo, 2 de novembro de 2008

Edição nº 6 - Novembro


Editorial

O Sonho que comanda a vida


O sonho move poetas, artistas e gente comum por este mundo fora e nós, na redacção das Senhoras do Metal, não sendo poetas nem artistas, mas sendo talvez gente comum, não somos a excepção à regra.

Em todas as artes, os sonhos são princípio e fim da criação, são fonte e origem, são finalidade e concretização. É do sonho que partimos e é para o sonho que caminhamos, impreterivelmente.

Para Candice Night, a bela e doce voz dos Blackmore’s Night, o sonho despertou cedo. Muito nova, viu-se capturada pelo que chama, desde então, a «magia da música». Uma magia que não a abandonou mais, embora a sua carreira tenha estado inicialmente ligada ao teatro, à representação musical e ao mundo da moda. Richie Blackmore mudaria mais tarde a sua vida, unindo o seu célebre nome, e o seu ainda mais célebre talento, ao sonho de Candice. Depois de trabalhar com nomes como Deep Purple e Rainbow e emprestar a voz a outros projectos, começou a escrever letras para o projecto Blackmore’s Night, nascido directamente da mestria do guitarrista Richie Blackmore e da voz feérica de Candice. Corria o ano de 1997 e o sonho realizara-se. A música que fazia com Richie permitia-lhe recuperar os sonhos de infância, o imaginário dos contos de fadas, as melodias renascentistas e medievas, os romances de cavalaria. Um mundo de mistério e fantasia ao qual cedeu a sua voz, a sua escrita e composição e o seu talento como instrumentista.

Por cá, tal como ela, nós também temos um sonho.

Após seis meses de vida, é tempo de mudança. O nosso pequeno projecto cresceu e desenvolveu-se, tornou-se, em parte, no que eu havia sonhado quando o idealizei. Mas ainda mal começámos e um longo caminho estende-se pela frente, repleto de desafios, aprendizagens e novos objectivos. Objectivos a que nos agarramos agora com novas forças e uma motivação renovada.

Durante estes meses, a redacção das Senhoras do Metal aprendeu, essencialmente, a conhecer-se. Quando nos juntámos em Maio, algumas de nós nem se conheciam pessoalmente. Aquilo que nos juntou foi, claro, a música que é feita por mulheres no âmbito do metal e da música alternativa. A minha paixão por este universo motivou o meu profundo envolvimento com cada texto que redigi, cada palavra que escrevi, cada ideia que acarinhei. Cada membro da equipa teve as suas razões para aderir a este projecto, razões que vão para além do gosto puro e simples. Algumas de nós, desiludidas profissionalmente, quiseram entregar-se a algo mais gratificante do que o emprego oficial das nove às cinco. Escrever no blogue tornou-se paixão e escape. Outras procuravam apenas preencher o seu tempo de forma construtiva, prestando-se a ajudar, mesmo quando o jornalismo não era a sua área.

Procurámos harmonizar as diferenças necessariamente existentes entre quatro pessoas com idades e vidas distintas. Um certo equilíbrio foi encontrado, embora estivesse longe, muito longe, de ser perfeito. Entretanto, estas quatro mulheres com rotinas diárias diferentes, umas trabalhando, outras à procura de emprego, outras estudando, encontraram tempo para encaixar uma reunião num cafezinho agradável em Lisboa. Era a oportunidade para nos sentarmos frente a frente e simplesmente conversar… e, claro, discutir o projecto que tínhamos em mãos. Acabámos por falar menos do blogue e muito mais de coisas triviais, daquilo que mexe connosco, do que gostamos e não gostamos, das pequenas coisas do dia-a-dia. Essa reunião foi muito importante porque pôs em contacto, não apenas o que cada uma de nós podia oferecer ao projecto, mas também as nossas vontades e, principalmente, as nossas personalidades. Apesar de unidas por uma causa comum, sabíamos que éramos todas muito diferentes. Conciliar as diferenças tornava-se essencial.

No entanto, para sermos mais produtivas e criarmos conteúdos cada vez melhores, era necessário tomar medidas. A falta de disciplina e organização interna tornou, por vezes, o nosso trabalho completamente caótico. E, infelizmente, esse caos reflectiu-se no blogue. Foram largos os dias em que este ficou sem actualizações e foram muitas as vezes em que apenas era actualizado em cima do virar do mês. Cinco Senhoras do Metal foram-vos apresentadas, umas de forma mais aprofundada, outras nem tanto. São estes alguns dos problemas que, de agora em diante, pretendemos colmatar.

O que vai mudar: essencialmente, o método de trabalho e a organização interna. Seis meses serviram para aprender muita coisa; nomeadamente, serviram não só para recebermos o essencial encorajamento e apoio ao nosso projecto, mas também a ainda mais necessária crítica acutilante. Ainda assim, foram poucas as críticas ao nosso trabalho, algo que, penso eu, se deve mais à falta de paciência para se escrever sobre o que não se gosta do que propriamente à qualidade imaculada do que aqui fazemos. Podemos e, sublinho, vamos fazer muito melhor. A começar agora.

A mudança mais evidente está já perante os vossos olhos. Um leitor atento, ao olhar para a barra lateral desta página, deparar-se-á com a presença de apenas três de nós. A lua perdeu uma das suas fases, uma perda de comum acordo, motivada por incompatibilidades irresolúveis. A decisão da saída foi aceite e respeitada por todas nós e dela não resulta qualquer ressentimento.

Mudanças à parte, há sempre aquilo que permanece: a nossa vontade. E claro, o sonho que nos move. E é em busca dele que iniciamos mais um mês, caminhando a passos largos para a estação mais escura e fria do ano.

Fiquem connosco e acompanhem-nos nesta caminhada!


Inês Martins (Lua Minguante)

e Ana Teixeira, Cláudia Rocha

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Editorial Setembro / Outubro (5ª Edição)

Ora boa noite caros leitores e bem vindos a mais um editorial do Senhoras do Metal!

Chegou Setembro, mais um mês pela frente, um mês de regressos e começos para alguns. Como nós aqui na redacção não queremos que vos falte nada, para vos ajudar a manter a boa disposição, coisa que por vezes é difícil devido a motivos alheios à nossa vontade, este mês teremos algo diferente e contamos também com algumas surpresas que esperemos de todo que seja do vosso agrado.
No entanto, como não podemos revelar tudo, vamos deixar um pouco o mistério no ar e dar seguimento ao assunto do nosso editorial.

Fui confrontada há poucas semanas, corro o risco de dizer quase dois meses, com uma situação bastante incómoda. Estava a navegar através do site da amazon na zona da música, mais propriamente na secção do metal, quando saltou algo à vista. Por norma costumo dar bastante atenção às capas dos álbuns, todo o design envolvido etodo o conceito. Confesso que já é tique de quem trabalha ou estuda na área, neste caso infelizmente, não posso dizer que o que me tinha saltado à vista foi isso mas sim a imagem que tinha sido utilizada.
A princípio acabei por não ligar muito apesar da imagem nunca me ter saído da mente, eu sabia que já tinha visto em qualquer sítio. Uns dias mais tarde voltei a rever a mesma capa, já no site oficial da própria banda e tentei informar-me mais sobre o autor. Não encontrei o dito senhor ou a dita senhora mas lembrei-me de onde tinha visto a fotografia original. Entrei na respectiva galeria da artista (a autora da foto), na esperança de ler qualquer coisa do assunto. Como à superfície não encontrei nada, e algo me dizia que a mesma foto não tinha sido utilizada com respectivo consentimento (devido a outras histórias), tentei ir mais a fundo e entrar na página da própria fotografia, quando não é o meu espanto vejo inúmeros avisos e comentários em relação ao mesmo assunto e vejo que a resposta é sempre a mesma…ou seja, realmente não tinha havido qualquer consentimento ou cedência de direitos para a utilização da fotografia na construção da própria capa e de todo o artwork envolvente.

Sendo culpa ou não da banda, coisa que duvido, pois pelo que também me tenho informado quem fica a cargo de todo este tipo de projecto é o designer escolhido pela parte ‘falante’ da banda ou alguém integrante da mesma. Há alguns casos (de sorte) em que o próprio designer tem oportunidade de falar com a respectiva banda para poder trabalhar mais à vontade e captar a própria essência do grupo e das músicas. No entanto, apesar desta história toda quem vai ficar mais prejudicado neste assunto será a própria banda…pois é o nome desta que vai saltar à vista na capa e vai ser o alvo de quem aponta o dedo (erradamente!).

Antes de ter ‘tropeçado’ neste problema, já esta questão pairava na minha mente…até que ponto o limite é o próprio limite?

Eu confesso que dou extrema importância aos artworks dos álbuns, critico muitas vezes o trabalho de grandes designers, ponho defeitos e posso até mesmo embirrar definitivamente com alguns. Isto porque, por vezes a imagem que sai para o mercado, mais concretamente para as prateleiras de lojas de músicas ou até mesmo de lojas on-line, é a primeira coisa que salta à vista ainda sem conhecer a banda…É como se fosse o ponto-chave que nos guia até lá e nos faz procurar mais informação, (depois acontece alguns casos em que o conteúdo não é tão bom como o exterior, mas isso já fica para outra conversa). Como tal, sendo algo de peso para a carreira de alguém, acho uma tremenda falta de respeito e de integridade moral prejudicar algo ou alguém (porque também não é só a própria banda que fica prejudicada) com este tipo de trabalho, que apesar de até ter ficado um bom trabalho, desce a pique na escala.
Compreendo que o desejo de aparecer nas ditas prateleiras associados a nomes grandes é o desejo de muitos. Mas queremos realmente aparecer de uma forma desonesta e transformar um bom trabalho num mau trabalho?

Para quem está com curiosidade ou gostava de saber qual o trabalho que me refiro, deixo aqui o link -> Artwork


Nota: Infelizmente deparo-me com este tipo de situações todos os dias, vejo bons artistas a serem roubados, trabalhos a serem falsificados e não é só no mundo da música que isto acontece. São situações desgastantes a nível psicológico e por vezes a nível financeiro, pois os custos de pagar um bom advogado para dar a volta ao mundo connosco e processar todos os que cometem este tipo de crime (sim, porque é um crime) é demasiado dispendioso e nem todos têm possibilidades para tal. O que acontece nestes casos, é um ‘deixa andar’ e a situação acaba por não ficar resolvida…mas o peso cá dentro…esse não desaparece.
Por isso deixo algo para quem quiser reflectir ou para quem já passou por situações idênticas, sejam do mundo da música ou de qualquer outro mundo.
Será muito pedir um pouco de respeito?


Ana Teixeira (Lua Nova),
Cláudia Rocha, Inês Martins e Milene Emídio

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

EDITORIAL Agosto / Setembro (4ª Edição )


Sejam todos mais uma vez bem vindos à 4ª edição do Senhoras do Metal, e desta feita a tempo e horas!

Agosto, mês de férias, mas não para as Senhoras do Metal. Quer dizer, embora estejamos de férias (ou pelo menos algumas de nós), este é um projecto sem pausas. Queremos estar sempre em cima do acontecimento e dar-vos todas as novidades em primeira (ou segunda) mão. Foi nesta linha de pensamento (e acção) que o Projecto cresceu. Começou como uma ideia persistente da nossa Quarto Minguante (Inês) e cedo se tornou numa colaboração a quatro – o blog Senhoras do Metal tal como vocês o conhecem. No entanto, como já foi referido na 3ª Edição, estas senhoras, ou Luas, trabalham, estudam, têm vidas próprias e que nem sempre são conciliáveis com todo o trabalho que este nosso/vosso Blog implica.

Como já devem ter reparado, surgiram dois novos nomes associados a artigos por nós aqui postados. Se no passado editorial vos apresentámos a Cátia Alves, é com igual prazer que este mês vos damos a conhecer (e que lhe damos oficialmente as boas vindas) o nosso mais recente colaborador: Sérgio Almeida (temos de arranjar designação para eles também, já que a Lua só tem quatro fases, mas havemos de arranjar alguma coisa com muito estilo – aceitam-se sugestões).

Com o crescimento do Blog e a exigência e perfeccionismo de quem o faz, queremos ser um meio de referência, sempre actualizado e com crescente interesse para quem nos visita. Queremos afirmar-nos na web portuguesa como um projecto diferente e ao mesmo tempo interessante e relevante para (em primeiro lugar) a comunidade metaleira e (em segundo lugar) para os simpatizantes, interessados, amigos, e quem mais quiser. Volto a frisar a importância de todos vós neste projecto. Por isso mesmo, as Senhoras do Metal convidam-vos a enviarem notícias, críticas, pedidos, informações, reclamações, estados de alma... tudo o que quiserem e acharem relevante, para o nosso e-mail: senhorasdometal@gmail.com.

É realmente com grande orgulho que olho para trás e vejo o quanto cresceu este Blog e a grande aceitação que teve – o nosso muito OBRIGADO! Quatro meses passados desde os nervos que antecederam a estreia, as correrias em ter material pronto a ser postado no dia 15 de Maio, o Blog todo arrumadinho... Por tudo isto e por muito que há-de vir, agradeço pessoalmente a oportunidade de participar neste projecto, porque é com bastante orgulho que o faço, assim como sei que todos os outros nomes envolvidos também se orgulham dele! Quanto aos leitores, espero que aproveitem o nosso convite e que nos façam crescer mais e melhor com as vossas ideias, sugestões, colaborações...

Gostaríamos ainda de ter algum feedback de bandas de metal, com integrantes femininos, portuguesas. Uma forma de crescermos enquanto projecto e enquanto meio de comunicação de referência na área é conseguirmos entrevistas ou até mesmo material exclusivo e tal tarefa apenas se consegue com a colaboração das bandas ou com a boa vontade das editoras. É para nós extremamente importante divulgar o que de bom se faz em Portugal dentro do metal, em especial no feminino. Apelamos assim às bandas, às editoras ou amigos e conhecidos das mesmas, que nos enviem e-mails, deixem-nos comentários no Blog ou então adicionem-nos no myspace (http://www.myspace.com/senhorasdometal) - o espaço ainda está em “obras”, mas sintam-se à vontade para comunicarem connosco através dele.

No que respeita aos outros meios de comunicação que possam “tropeçar” em nós, sintam-se à vontade para perguntarem, colaborarem e divulgarem!

Milene Emídio (Lua Cheia)
e
Ana Teixeira, Cláudia Rocha e Inês Martins.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

EDITORIAL Julho/Agosto (3ª edição)


A tradição manda que cada nova edição das Senhoras do Metal tenha início no dia 15 de cada mês. No entanto, no mês de Julho/Agosto decidimos ser rebeldes e atrasar a edição um dia. Não, caros leitores, ainda não entrámos na silly season. A verdade, é que as Senhoras do Metal trabalham e estudam e, por vezes, seguir um plano à risca está para além das nossas forças. Mesmo esta Senhora do Metal que vos escreve está a esforçar-se ao máximo por manter os olhos abertos.

Por vezes, é difícil conciliarmos as nossas paixões com os nossos day jobs. É difícil, após um longo dia de trabalho ou de estudo, sentarmo-nos à frente do computador e pesquisar notícias, ou fazermos reviews… ou escrevermos o editorial do mês. Chega a ser desgastante e exige uma grande entrega, energia e força de vontade da nossa parte. No entanto, fazemo-lo por paixão e, no final, o esforço acaba por ser compensador.

Num mundo ideal, o nosso trabalho seria a nossa paixão e a nossa paixão seria o nosso trabalho. Claro que este é o sonho de quase todos aqueles que têm de acordar de manhã cedo para enfrentar a longa jornada diária. Vivemos num país em que ter um emprego de que se gosta é um privilégio de poucos.

Num destes dias, lá no meu posto de trabalho, mostrei o blog a uma colega. Embora ela não seja uma apreciadora de Metal, achou o projecto interessante. E disse: “um dia ainda hão-de ter a vossa própria revista”. Eu devo ter dado uma risada e dito uma piada. Uma revista. Pois sim. Claro que esse era o nosso sonho, mas reconhecemos é praticamente inatingível. A crise dos órgãos de comunicação é generalizada, e aqueles que se dedicam a cenas mais underground também não lhe escapam. A própria Loud! – a revista de referência do Metal em Portugal – já ameaçou encerrar. Felizmente existe a Internet, onde proliferam projectos interessantes e originais. No entanto, não são projectos profissionais porque as pessoas que trabalham neles, embora sejam empreendedoras, não têm a possibilidade de o fazer a tempo inteiro. Infelizmente.

Esse é o problema da cena em que estamos inseridos. Um dia, estava a ler uma entrevista dos My Dying Bride em que eles confessavam ter day jobs. E quando o jornalista os inquiriu sobre os seus empregos, os elementos da banda recusaram-se a revelar. O Aaron (vocalista) respondeu que preferia que os fãs continuassem a imaginar que eles vivem num castelo, no alto de um penhasco batido pelo mar, a beberem vinho enquanto, à luz de velas, compõem o próximo álbum. E não deixa de ser um pouco perturbador pensar que os My Dying Bride – uma das bandas mais importantes do Metal, co-fundadora de um subgénero – não vive exclusivamente da música. A verdade, é que poucas bandas conseguem sobreviver apenas com a música que criam. Temos alguns exemplos, como os After Forever ou os Within Temptation, mas tratam-se das excepções que só ajudam a confirmar a regra.

O sonho de qualquer músico é viver da sua arte. Mas alguns não conseguem, sequer, conciliar as suas bandas com os seus empregos. Outros têm de enfrentar sérios problemas financeiros. Estou-me a recordar dos Trail of Tears, em que os membros debandaram a meio de uma tour, deixando o líder e fundador a tentar tocar o barco sozinho. Problemas financeiros geraram discussões e desentendimentos no seio da banda. Em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão.

Outras bandas vêem-se confrontadas com a decisão de alargarem o seu espectro musical para se tornaram acessíveis a um público mais vasto. Foi o caso dos Nemesea, que após um início de carreira promissor, lançaram um álbum medíocre que, supostamente, teria um som mais “moderno”. In Control é um álbum pop. Não tenho nada contra a música pop – aliás, gosto de muitas bandas que caem neste género musical – mas o que aconteceu é que os Nemesea deixaram de fazer aquilo em que eram realmente bons para se lançarem numa aventura que se revelou um beco sem saída. A aventura chamou-se Sellaband – uma empresa que vende, online, “partes” de uma banda. Quando esta está totalmente “vendida”, pode finalmente gravar um álbum. E o que fazemos quando queremos que o maior número possível de pessoas nos compre? Tentamos agradar a toda a gente!

Isto não uma crítica à música comercial. Alguns colectivos fizeram esta passagem do underground para o estrelato sem macularem a qualidade do seu trabalho. Embora discutíveis, temos dois exemplos de grande monta: os Nightwish e os Within Temptation. Duas bandas que tiveram oportunidade de concretizar o sonho de viverem exclusivamente da sua arte, mas que, ainda assim, continuam a lançar excelentes álbuns.

No entanto, apesar de todas estas dificuldades, é admirável como o Metal continua a ser um género tão rico, com tantas bandas que atingiram um elevado nível de profissionalismo, embora os seus membros continuem a ensaiar apenas aos fins de semana, a enfrentarem diariamente as horas de ponta, os transportes públicos e, muitas vezes, empregos pelos quais não sentem qualquer paixão. Nós, aqui no blog, tentamos prestar tributo a este esforço, através do nosso trabalho quase diário para trazermos até aos nossos leitores notícias actuais, reviews pertinentes e curiosidades interessantes sobre as Senhoras do Metal e as suas respectivas bandas.

Mas, como todos os guerreiros, até as Senhoras do Metal deste blog precisam de descansar. Durante esta edição, algumas de nós estarão meio arredadas da Internet e não poderão postar com tanta frequência. Contudo, para garantir que este nosso cantinho continuará a ser actualizado com a mesma regularidade, chamámos reforços! Assim, teremos entre nós a Senhora do Metal Cátia Alves, que colaborará connosco durante o mês Julho/Agosto. Dêem-lhe as boas vindas!

Como sempre, teremos a rubrica Senhora do Metal do Mês que, desta vez ,será dedicada a uma grande senhora que actuará em Portugal em Agosto. Já adivinharam quem é?
Teremos também a primeira review de um álbum de uma banda portuguesa. E muito, muito mais!

Fiquem connosco, não se vão arrepender!

Cláudia Rocha
e
Ana Teixeira, Inês Martins e Milene Emídio

domingo, 15 de junho de 2008

EDITORIAL Junho / Julho

Quando a ideia para este blog estava ainda a germinar, fizemos uma pesquisa na Internet, em busca de projectos semelhantes. Encontrámos sites de todo o tipo, desde webzines até outros blogs, alguns de grande qualidade, outros nem tanto. No entanto, a maioria destes sites dedicados às mulheres na música mais alternativa ou extrema tinham algo em comum: a tag Female Fronted Metal. Há já algum tempo – muito antes deste projecto nascer – eu já tinha reflectido acerca desta “etiqueta” que surge colada às bandas que têm uma mulher ao microfone, questionando-se sobre a sua pertinência.

Não conheço muitos casos, mesmo no Metal, em que o vocalista seja determinante para definir um estilo de música. Sim, temos os famosos grunts à Death Metal ou à Black Metal; é sabido que as bandas de Power Metal dão preferência a um certo tipo de vocalista, e estes são apenas exemplos. Mas o facto é que, mesmo nestes casos, não é apenas o vocalista que determina o estilo da banda.

Female Fronted Metal não é um subgénero. Refere-se, pura e simplesmente, a bandas que têm vocalistas femininas. No entanto, é curioso ver em quantos sites dedicados ao assunto a tal etiqueta surge como se estivesse a definir um estilo musical. Como se todas as bandas que têm uma vocalista pertencessem ao mesmo subgénero. É um erro que tem as suas implicações.

Não oiço Metal há assim tanto tempo. Na verdade, sou uma neófita nestas andanças, pois a minha viragem musical só aconteceu em 2004. E tendo em conta os meus 25 anos, comecei tarde. Mas nestes escassos anos nunca vi, em nenhum site ou publicação, a expressão Male Fronted Metal. Porquê? Uma resposta é: porque o Metal só há muito pouco tempo deixou de ser um território onde “menina não entra”.

A verdade, é que este foi, durante muito tempo, um estilo de música de homens e direccionado a um público masculino. Kari Rueslatten, umas das primeiras vocalistas de uma banda de Doom Metal – os The 3rd and the Mortal – contou numa entrevista que, nos seus primeiros concertos, chegou a ser vaiada e mandada “para casa coser meias”. Felizmente, as coisas mudaram, e ver uma mulher num palco rodeada por uns tipos cabeludos já não é novidade para ninguém mas… será que as coisas mudaram tanto assim?

Quando os Metallica actuaram no Rock in Rio eu estava fora, em trabalho. Por isso, eu e uma colega que dividia o quarto de hotel comigo, assistimos ao concerto pela tv. O comentário dela quando as câmaras deram o público que era maioritariamente masculino.

Será que as mulheres não estão predispostas para ouvir música pesada? Será genético? Hormonal? Será falta de testosterona? Caros leitores, não me parece. A questão aqui é educacional. Há as coisas dos meninos e há coisas das meninas. O Metal, devido à sua violência (e, atenção, não estou a atribuir uma carga negativa a esta palavra) não é considerado uma coisa de meninas.

Há quatro anos atrás, quando comecei a ouvir metal, quando comprei as minhas primeiras botas de biqueiras de aço e comecei a ir a concertos, fui criticada por família, amigos e colegas. Porque as botas eram masculinas. Porque a música era demasiado agressiva. Porque o metal não é uma coisa para meninas, que se querem femininas. Eu nunca considerei que a música que oiço, a roupa que visto afectasse, de alguma forma, a minha feminilidade. Mas o que está aqui em jogo são estereótipos, e eles são poderosos.

Mas o que é que isto tem a ver com Female Fronted Metal? Esta espécie de nicho só existe porque, quer se queira quer não, a presença feminina no Metal é escassa, circunscrita e recente. Somos vistas como a excepção, e como excepção que somos, acabamos um pouco colocadas à parte.

É verdade que a maioria das senhoras do metal são vocalistas. É também verdade que uma boa parte delas encontram-se em bandas de Gothic Metal ou de Metal Sinfónico. Mas, mesmo em termos de vocalistas, temos mulheres ao microfone em todos os subgéneros do Metal. E é estranho pensar que tanto os Within Temptation como os Cadaveria estão sob a grande alçada do Female Fronted Metal, quando a única coisa que têm em comum é o género da vocalista.

O Female Fronted Metal também acaba por excluir as instrumentistas. A explicação pode ser mais ou menos óbvia. A voz é o elemento mais humano da música, por isso acaba por ser o centro das atenções. No entanto, o trabalho dos instrumentos, masculinos e femininos, necessita de um maior reconhecimento.

Este não é um blog dedicado ao Female Fronted Metal por si só. Já usámos, e continuaremos a usar, a expressão quando nos referimos a bandas com vocalistas femininas, mas nunca para definir um estilo musical. Este é um blog dedicado a todas as mulheres do Metal: vocalistas, instrumentistas e fãs; e também aos senhores do metal que, como parte integrante das bandas e como admiradores, merecem todo o destaque pelo talento e dedicação à música.

Já é tempo de vermos mais meninas nos concertos, a escreverem em publicações especializadas ou na Internet, e a tocarem instrumentos musicais. As portas já estão abertas e, agora, as meninas já podem entrar!

Deixamo-vos o convite… e o desafio.

Cláudia Rocha
e Ana Teixeira, Inês Martins, Milene Emídio

domingo, 4 de maio de 2008

Editorial

Há dois anos, mais precisamente no dia 8 de Julho de 2006 perdeu-se uma bela voz do metal. Sabine Dünser, vocalista dos Elis, deixou este mundo. Morrera uma jovem mulher, um jovem talento, uma Senhora do Metal. A notícia chocou-me e perturbou-me. Ali estava uma banda que eu ainda mal conhecia, ali estava uma voz que eu ainda mal começara a absorver e que, mal eu sabia, estava condenada a vir a amar, mais tarde. A tristeza caiu em mim e desapareceu com o poder do tempo, no decorrer dos dias. Os Elis tinham entrado definitivamente na minha vida e Sabine, uma Senhora do Metal, também. Chegara à minha vida (oh ironia!), precisamente agora, que dela tinha partido.

Tempos mais tarde, uma ideia começou a tomar forma dentro de mim (coisa interessante, o subconsciente…). A ideia nascia da minha profunda afeição ao metal com voz feminina e da minha profunda admiração pelo percurso das mulheres nesta facção da música. Comecei a reflectir… A minha admiração e apreciação pelas Senhoras do Metal não parecia, no entanto, ter alguma espécie de equivalência em qualquer dos meios de comunicação dedicados ao assunto. Muito pelo contrário, parecia (e parece) imperar uma certa tendência para a "diminuição" da presença destas mulheres… Para os puristas do estilo, metal que seja digno desse nome pertence ainda à estilizada classe dos gadelhudos, vestidos com cabedal preto, algumas tatuagens e com vozes possantes e de preferência com muitos "grunts" pelo meio. Na minha opinião, são, mas não são apenas esses que fazem o metal, porque o metal é muito mais vasto e muito mais rico.

A indignação era mais que muita. Indignação pela maneira como as mulheres continuavam (e continuam) a ser vistas na música mais extrema. Indignação pelo preconceito que levava a olhar primeiro para o corpo destas mulheres e só depois, só depois, sublinho, para o seu talento (este muitas vezes, aparentemente, parece depender da avaliação do primeiro). A indignação trouxe a reacção e a ideia construiu-se por si própria. Era necessário um meio de comunicação que desse às Senhoras do Metal a credibilidade que lhes é devida, nem mais nem menos, sem as julgar.

Guardado no meu subconsciente estava a memória de Sabine, uma voz e um talento que já partiram e que muitos, se calhar, nem chegaram a conhecer e reconhecer. E estas memórias, este projecto do meu subconsciente foi marinando... marinando...

A figura feminina trouxe grandes qualidades e benefícios à cena do metal – revolucionando-a de certa forma. Trilhando o seu caminho num mundo cheio, por vezes, de um extremo machismo. As mulheres chegaram ao metal e vieram para ficar e fazer crescer e estender os horizontes com os seus talentos que, até aí estavam muito desprezados. É importante reconhecer o seu contributo para a música, o estilo do metal e para a própria indústria. Muitas vezes ainda desprezadas, votadas pelo preconceito, reduzidas à expressão de "carinha laroca" ou vendo, muitas vezes, a sua música avaliada em função de serem gordas ou magras, as mulheres no mundo do metal ainda têm um longo caminho a percorrer até serem aceites como músicas profissionais, ao contrário de um pedaço de cara e corpo para atrair fãs masculinos.

A pergunta que faço a mim mesma é: porque é que o facto de haver uma mulher na banda (principalmente se esta for vocalista) é logo condição para o crítico musical ficar de "pé atrás" e o chamado "metaleiro" franzir o sobrolho? Não tenho resposta. Apesar destas pequenas falhas (na minha opinião ainda existentes) considero que o futuro é optimista e que, como em todas as outras áreas da vida social e política, as mulheres estão cada vez mais a ganhar terreno e cada vez menos a serem reduzidas a coisas irrelevantes.

O futuro é optimista. Tal como em todas as outras áreas da vida. também na música - e no metal em particular - as mullheres estão a ganhar terreno e a serem reconhecidas pelo seu talento e não apenas pelas suas "caras bonitas". No entanto, ainda há muito a fazer para mudar as mentalidades, e essa foi uma das razões pela qual que decidimos criar este blog.
Somos quatro jovens mulheres, com muito e nada em comum. No entanto, partilhamos o mesmo amor pela música e a mesma admiração por estas mulheres.

É partir deste ponto que a ideia deixa de ser só sustentada pelo pensamento e encara outro caminho. Adoptando as fases da Lua como símbolo para nos darmos a conhecer ao público como quatro pessoas (mulheres), todas nós com gostos, experiências e interesses profissionais diferentes (pelo menos parte deles..lol) mas com o mesmo amor pela música dedicamo-nos a este novo projecto, tentando contornar as nossas diferenças e tentando que o que nos uniu seja mais forte do que o pouco tempo de conhecimento que temos umas das outras.

Foi num desses fóruns de discussão espalhados pela web que nos encontrámos e tomámos conhecimento das nossas afinidades. Algum tempo depois voltámos a encontrar-nos, mas desta vez no plano real, num grande concerto. E eis que as ideias fluíram, os laços estreitaram-se e juntámo-nos virtual e pessoalmente para dar forma a este projecto há muito pensado.

Neste espaço, procuraremos discutir tudo o que possa ser relevante (ou não:)) referente às mulheres do mundo do metal - quer se tratem de líderes ou vocalistas, quer tenham qualquer outro papel, assegurando algum instrumento. Trata-se de conferir, de alguma forma, legitimidade ao seu trabalho, ao seu lugar, à sua presença num mundo conhecido por pertencer aos homens (especialmente aos "feios, porcos e maus").

Aqui é o lugar para falar das nossas Senhoras do Metal (estrangeiro e português) – os seus estilos, as suas qualidades próprias, a sua voz (se for caso disso), os seus projectos, biografias, carreiras, performances, notícias, CDS, DVDS, publicações, sites relacionados com o tema e outros links, fotos, entrevistas, as suas contribuições para a música e o mundo do metal, a razão porque são diferentes umas das outras e o que as faz ser tão especiais.

Em memória de Sabine e em nome de todas as mulheres que continuam a fazer metal.

Metal no Feminino Sempre!

Inês Martins
e Cláudia Rocha, Ana Teixeira e Milene Emídio

Senhoras do Metal